Tracker para afiliados: o que é, como funciona e por que o media buyer precisa dele

Um tracker para afiliados é um sistema de controle que conhece o destino de cada clique: de onde veio, quanto custou e se deu dinheiro. Sem ele, rodar tráfego vira adivinhação com base no resumo da conta de anúncios.

Rastreamento e análise11 min de leitura
Tracker para afiliados: o que é, como funciona e por que o media buyer precisa dele
Conteúdo
  1. O que é um tracker no marketing de afiliados
  2. Como o tracker liga o clique à conversão
  3. Quais funções de tracker o media buyer realmente precisa
  4. Tracker e cloaker: são a mesma coisa?
  5. Como funciona o tracker no ArtisanClo
  6. Como escolher um tracker para afiliados: checklist
  7. Erros típicos no trabalho com o tracker
  8. Por onde começar com o tracker
  9. Resumo

Imagine a manhã depois da primeira campanha: a conta de anúncios mostra US$ 300 gastos, a rede de afiliados mostra 11 leads, parte em hold. Qual dos três criativos funcionou? Em qual geo os leads saem mais baratos? O dia de ontem se pagou? A conta de anúncios sabe o custo, a rede sabe os payouts — e nenhuma das duas sabe como uma coisa se liga à outra. Quem liga é o tracker para afiliados.

O que é um tracker no marketing de afiliados

Um tracker (tracker CPA, tracker para afiliados) é um serviço que registra cada acesso pelo link do anúncio, atribui a ele um número único (click id) e depois recebe da rede de afiliados a mensagem de conversão e a liga a esse clique. O resultado é uma tabela em que numa mesma linha estão a fonte, a campanha, o criativo, o país, o dispositivo, o preço do clique e o dinheiro que o clique trouxe. Muitos trackers funcionam também como sistema TDS: distribuem o tráfego entre ofertas por geo, dispositivo e outras condições, e a forma mais simples dessa distribuição é um rotador de links por peso.

Três coisas que todo tracker decente faz:

  1. Conta os cliques e os organiza por parâmetros: fonte, campanha, anúncio, placement, parâmetros sub.
  2. Recebe as conversões — normalmente por postback de servidor da rede, mais raramente por pixel ou código na página de «Obrigado».
  3. Conta o dinheiro — custo pelo modelo de preço do clique e receita pelos payouts, e a partir deles lucro, ROI, EPC e CR.

No marketing de afiliados, «rastreamento» significa exatamente essa cadeia: do clique ao dinheiro. Em detalhes, como funciona a mensagem de conversão está no artigo sobre postback S2S.

Como o tracker liga o clique à conversão

A mecânica é simples, e vale entendê-la para não sair caçando leads «perdidos» depois.

Passo O que acontece Quem participa
1 A pessoa clica no anúncio e cai no link do tracker Plataforma de anúncios → tracker
2 O tracker registra o clique e lhe dá um click id Tracker
3 O visitante vai para a oferta, e o click id segue num parâmetro sub Tracker → rede de afiliados
4 A pessoa deixa o cadastro, e a rede registra o lead Landing → rede de afiliados
5 A rede envia um postback com o mesmo click id e o status Rede de afiliados → tracker
6 O tracker encontra o clique e atribui a ele a conversão e o payout Tracker

O elo-chave é o passo 3. Se o ID do clique não foi para a rede, no passo 5 ela não tem o que devolver, e a conversão fica «solta». Veja como isso aparece no link da oferta:

https://network.example.com/click?offer=55&sub1={click_id}&sub2={sub1}

O tracker põe o seu número no lugar de {click_id}, e a rede o devolve no postback:

https://tracker.example/postback?click_id={sub1}&status={status}&payout={payout}

Repare: no postback, {sub1} já é uma macro da rede de afiliados, ou seja, «o que recebemos no sub1». Mais sobre como não confundir os IDs de clique de sistemas diferentes no artigo sobre click id e SubID.

Quais funções de tracker o media buyer realmente precisa

Os trackers têm dezenas de funções, mas poucas afetam o lucro. Eis o que conferir primeiro.

Parâmetros de campanha sem limite

Cada anúncio, criativo, público e media buyer deve ser marcado com seu próprio parâmetro. Se os parâmetros forem cortados a cinco, em um mês você vai começar a juntar significados numa linha só e perder a análise. Como montar o link com os parâmetros da plataforma está no texto sobre parâmetros UTM e macros.

Recebimento de postbacks de qualquer rede

É bom quando o tracker tem modelos prontos das redes populares: neles já está definido em qual parâmetro a rede espera o ID do clique e como se chamam os status dela. A lista de redes com modelos prontos está no catálogo de redes de afiliados.

Status corretos

Lead, hold, venda, rejeição, lixo — cada rede usa nomes próprios. O tracker deve traduzi-los para status únicos e saber atualizar o registro quando a rede aprova ou estorna o lead. Senão o hold fica pendurado no relatório para sempre. A análise de todos os status está no artigo «Status de conversão: lead, hold, aprovado».

Custo e modelos de preço do clique

Sem custo não há lucro. O tracker deve calcular o custo por clique (CPC), por mil impressões (CPM), pegar o preço de um parâmetro do link ou aceitar o custo diário lançado à mão.

Relatórios por recorte

O mínimo: dia, fonte, campanha, oferta, país, dispositivo e seus parâmetros sub. Melhor ainda: agrupamento em vários níveis, como «oferta → país → criativo».

Envio das conversões de volta à plataforma

Os algoritmos do Facebook, do TikTok e do Google aprendem com as conversões. Se a plataforma não sabe quem comprou, ela otimiza para cliques. Há um artigo à parte sobre envio de conversões às plataformas de anúncios.

Tracker e cloaker: são a mesma coisa?

Não. O cloaker decide quem pode ver a oferta e quem vai para a White Page. O tracker conta o que rendeu o tráfego aprovado. As tarefas são vizinhas, e muitas vezes o media buyer mantém dois sistemas: o cloaker vem primeiro, depois o tráfego segue para o tracker. Como o filtro funciona está detalhado no artigo «O que é cloaker».

Dois sistemas são dois pontos onde o ID do clique pode se perder e dois lugares onde os números precisam ser conferidos. Por isso, cada vez mais media buyers escolhem um serviço em que filtragem e controle vivem juntos.

Como funciona o tracker no ArtisanClo

O ArtisanClo é cloaker e tracker no mesmo painel. Cada fluxo (uma campanha configurada) tem um modo de trabalho:

Modo O que acontece
Cloaking Bots, scanners e ferramentas spy veem a White Page; pessoas, a oferta. O dinheiro pode ser contado num tracker externo
Tracker Todos vão para a oferta; contam-se cliques, conversões, custo e lucro; os bots só são marcados nos relatórios
Cloaking + Tracker O filtro barra, e o dinheiro é contado sobre o tráfego aprovado

O modo «Tracker» sem filtragem funciona com a conexão por arquivo PHP (e também pelo filtro do Keitaro ou pelo gateway do Binom). Pela tag JS, esse fluxo filtra o tráfego como um cloaker comum — a tag precisa do navegador do visitante para funcionar.

Na etapa «Tracker» do fluxo são montados os parâmetros da campanha. Os parâmetros da fonte (palavra-chave, preço, ID de clique da plataforma, ID do criativo, ID da campanha, placement) vêm do modelo da plataforma — há cerca de 180 modelos. SubIDs próprios são adicionados sem limite: marque criativo, público, media buyer, funil. A partir dos parâmetros monta-se o link de anúncio do fluxo.

Receita e recebimento de conversões

Para cada oferta escolhe-se a rede de afiliados — cerca de 300 modelos prontos — ou «Site próprio (formulário)». O painel mostra o endereço de postback para a rede e o parâmetro pelo qual a rede vai receber o ID do clique. Se você esquecer de acrescentar o parâmetro ao endereço da oferta, ele é acrescentado sozinho ao salvar. Na janela de configuração há uma verificação ao vivo: «Aguardando…» → «Chegou e foi vinculado ao clique — está tudo funcionando».

Se a rede não enviou o valor, usa-se o preço do lead ou da venda configurado na oferta. A moeda é convertida para dólares pela cotação diária do Banco Central Europeu.

Custo e relatórios

O preço do clique é definido pelo modelo: CPC, CPM, «Do link», CPA ou RevShare; se o valor exato só existe na conta da plataforma, o custo do dia é lançado manualmente. Na seção «Relatórios» há «Dinheiro por recorte» (fluxo, fonte, dia, país, oferta, dispositivo, sub1–sub10 e outros) e o construtor de relatórios, com agrupamento por níveis e exportação em CSV.

Já trabalha com seu próprio tracker? No modo «Cloaking» dá para escolher um tracker externo da lista — Keitaro, Binom, RedTrack, Voluum e outros —, e as estatísticas do cloaker passam a mostrar CR e receita. Mais na página de integrações com trackers.

Como escolher um tracker para afiliados: checklist

Antes de migrar as campanhas, passe por esta lista (a análise completa está no artigo como escolher um tracker para afiliados, e sobre a escolha entre nuvem e servidor próprio, no texto tracker em nuvem ou self-hosted):

  • Quantos parâmetros sub dá para passar e se eles aparecem nos relatórios.
  • Se há modelos da sua rede e da sua fonte de tráfego.
  • Como o tracker trata um postback repetido da mesma transação — atualiza ou duplica.
  • Se dá para escolher a data no relatório: data do clique ou data da conversão.
  • Como o custo é calculado: só à mão ou por modelo de preço.
  • Se o tracker envia as conversões de volta à plataforma.
  • Se há log dos postbacks recebidos com o resultado («clique não encontrado», «sem click_id»).
  • Como funciona a equipe: papéis, acesso dos media buyers só aos próprios fluxos.

Dica. Antes de migrar, passe uma conversão de teste pelo novo tracker — envie o postback à mão com um click id real e confirme que ele se ligou ao clique. Cinco minutos de teste economizam uma semana de investigação.

Erros típicos no trabalho com o tracker

O ID do clique não foi passado para a rede. A causa mais comum de leads «sumidos». Confira o link da oferta: o parâmetro do tipo sub1={click_id} tem de estar lá.

Macros trocadas. No link da oferta vai a macro do tracker; no postback, a macro da rede. Se você puser {click_id} no postback em vez de {sub1}, a rede vai enviar o texto literal.

Comparar relatórios de datas diferentes. A rede costuma contar pela data da conversão, o tracker pela data do clique. Um lead deixado às 23h50 e aprovado três dias depois vai cair em dias diferentes. Não é erro, é outra lógica.

Custo não lançado. ROI sem custo não faz sentido. Se o preço do clique não vem no link, lance o custo ao menos uma vez por dia.

Hold contado como receita. Payouts não aprovados não podem ser somados aos aprovados, senão o lucro fica inflado. Detalhes do cálculo no artigo como calcular lucro e ROI.

Por onde começar com o tracker

Se você está adotando um tracker pela primeira vez, não tente migrar tudo de uma vez. A ordem que funciona é esta:

  1. Uma campanha, uma oferta. Pegue o funil atual e passe só ele pelo tracker.
  2. Esquema de parâmetros. Combine o que vai em cada parâmetro: campanha, anúncio, placement, media buyer. Anote.
  3. Postback. Configure o recebimento de conversões da rede e teste com um cadastro de teste.
  4. Custo. Escolha o modelo de preço do clique ou lance o custo à mão todo dia.
  5. Conferência. Depois de alguns dias, compare os leads no tracker e na rede para os mesmos cliques. Diferença de poucos por cento por causa de atrasos é normal; diferença de várias vezes — procure onde a cadeia quebrou.
  6. Escala. Só depois da conferência migre as demais campanhas.

Essa ordem leva um ou dois dias a mais, mas você terá confiança nos números e, portanto, nas decisões que toma com base neles.

Resumo

O tracker para afiliados não é ferramenta da moda, e sim a contabilidade do funil. Ele dá um número ao clique, passa esse número à rede, recebe de volta o postback e junta custo e receita numa linha. Escolha o tracker pela facilidade de marcar o tráfego, receber postbacks e mostrar o dinheiro por recorte. Se você precisa de filtragem e controle no mesmo lugar, veja as funcionalidades do ArtisanClo — lá cloaker e tracker trabalham no mesmo fluxo. Que métricas acompanhar depois da configuração está no artigo sobre métricas para afiliados.

Perguntas frequentes

01

O iniciante no marketing de afiliados precisa de tracker?

Sim, e quanto antes melhor. Os primeiros testes já são caros, e sem tracker você não sabe qual criativo, geo ou placement trouxe os leads, e vai desligar funis no chute. Basta um esquema simples: parâmetros no link, recebimento do postback da rede e preço do clique.

02

Qual a diferença entre o tracker e as estatísticas da rede de afiliados?

A rede vê só as próprias conversões e não sabe nada do seu custo nem de qual criativo trouxe a pessoa. O tracker junta numa linha o clique, o preço dele, os parâmetros da campanha e o payout, por isso consegue calcular lucro e ROI em qualquer recorte.

03

Dá para usar Planilhas Google em vez de tracker?

Com uma oferta e uma campanha, por um tempo, dá. Assim que surgem vários criativos, geos ou media buyers, o controle manual começa a se descolar da realidade: os leads são aprovados com atraso, parte é rejeitada, o câmbio muda. O tracker recalcula tudo isso automaticamente.

04

Tracker em nuvem ou no próprio servidor: qual escolher?

O servidor próprio dá controle total, mas exige administração, atualizações e backups. O tracker em nuvem tira essas preocupações e começa mais rápido. A escolha depende do volume de tráfego, de haver alguém na equipe para manter o servidor e das exigências de armazenamento de dados.

05

O tracker consegue contar o tráfego que o cloaker filtrou?

Se cloaker e tracker são o mesmo sistema, sim: os relatórios mostram tanto os visitantes aprovados quanto os filtrados, com os motivos. Se são dois serviços diferentes, o cloaker normalmente passa ao tracker só o tráfego aprovado, e o vínculo depende do parâmetro com o ID do clique.

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Veja o seu tráfego na prática

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