O catálogo de uma rede CPA tem centenas de ofertas, e cada uma exibe uma comissão chamativa na primeira coluna. Mas a comissão é só uma linha da página da oferta. Ao lado estão aprovação, hold, GEO, fontes permitidas, regras de criativo, horários de ligação e uma dezena de observações em letra miúda. São elas que decidem se o valor vai virar dinheiro no seu saldo. Sobre as redes de afiliados em si e os critérios para escolhê-las falamos no artigo sobre redes CPA; aqui vamos um nível abaixo, para como escolher a oferta específica.
O que é uma oferta e o que tem na página dela
A oferta é a proposta do anunciante com as condições de trabalho: o que divulgar, para quem, de onde e por qual ação ele paga. Na página da oferta numa rede CPA normalmente há:
| Campo | O que significa |
|---|---|
| Comissão | Quanto você recebe por uma ação aprovada |
| Ação-alvo | O que é pago: lead, cadastro, depósito, compra, instalação |
| GEO | Países de onde o tráfego é aceito, às vezes com comissões diferentes |
| Aprovação | Parcela de leads que o anunciante confirma |
| Hold | Quantos dias a conversão é analisada antes de ser creditada |
| Fontes | Que tipos de tráfego são permitidos e quais são proibidos |
| Criativos e landings | Regras para os anúncios, materiais promocionais prontos |
| EPC / CR | Receita média por clique e conversão na rede, se a rede mostrar |
| Restrições | Caps (limites diários), horário de atendimento, idade do público, regras de duplicados |
Se faltar alguma linha, pergunte ao gerente antes de lançar, não depois do primeiro lead rejeitado. A seguir, as linhas principais em detalhe.
Comissão: olhe a receita esperada, não o valor
Uma comissão alta atrai, mas sozinha não diz nada. O dinheiro não vem do valor, e sim do valor multiplicado pela parcela de ações confirmadas.
Digamos que você está comparando duas ofertas da mesma vertical, no mesmo GEO (números hipotéticos):
| Oferta A | Oferta B | |
|---|---|---|
| Comissão por lead confirmado | 30 $ | 22 $ |
| Aprovação | 25% | 50% |
| Receita esperada por lead | 7,5 $ | 11 $ |
A oferta com comissão menor rende quase uma vez e meia mais por lead. E se a oferta A ainda tiver hold longo, você vê o dinheiro dela mais tarde, e o giro do orçamento fica mais lento.
Repare também no modelo de pagamento: o CPL paga pelo lead, o CPA por uma ação-alvo como depósito ou compra, o RevShare por uma parcela da receita do anunciante. Quanto mais longe do clique está a ação paga, maior a comissão e maior a incerteza.
Aprovação e hold
A aprovação é a parcela de leads que o anunciante confirmou. Em ofertas de produto físico, normalmente é a ligação do call center e o pagamento; em finanças, a aprovação do pedido; em assinaturas, o pagamento. A aprovação da página é a média da rede, e no seu tráfego pode ser outra: depende da qualidade do público, do GEO, do horário e até de quão honestamente o criativo descreve o produto.
O hold é o prazo em que a conversão é analisada e não entra no saldo. Quanto mais longo o hold, mais capital de giro você precisa: paga o tráfego hoje e recebe o dinheiro semanas depois.
Como ler os status nos relatórios (lead, hold, venda, rejeitado, lixo) está no artigo status de conversão.
Dica. Pergunte ao gerente por que motivos os leads são rejeitados nessa oferta. Uma resposta como não atendeu, duplicado, número errado é um quadro normal. Resposta vaga ou recusa em explicar é motivo para desconfiar.
GEO: onde a oferta aceita tráfego
O GEO define a comissão, o custo do tráfego e as regras de publicidade.
- Comissão por GEO. A mesma oferta muitas vezes vale diferente em países diferentes. Uma comissão alta num GEO caro não é necessariamente melhor que uma média num GEO barato.
- Idioma da landing. Confirme que existe landing no idioma do seu GEO e que o call center atende no idioma do público.
- Regulamentação. Finanças, jogos de azar e saúde têm regras e licenças próprias em cada país. Mais no artigo sobre categorias restritas de anúncios.
- Fuso horário. O call center funciona em certos horários; um lead deixado de madrugada pode esfriar antes da ligação.
Como os mercados se diferenciam por renda e concorrência está no artigo GEO no marketing de afiliados: Tier-1, Tier-2, Tier-3.
Fontes de tráfego permitidas
É a linha mais importante para cumprir as regras. O anunciante informa de onde aceita tráfego: redes sociais, busca, native, push, contextual, e-mail, tráfego incentivado, termos de marca. Cada restrição tem um motivo, da reputação da marca à qualidade dos leads.
O que verificar:
- A sua fonte está na lista de permitidas. Se não está, ou se está explicitamente proibida, não lance. Conversões de fonte proibida são rejeitadas, e a conta na rede pode ser bloqueada.
- Tráfego de marca. Muitos anunciantes proíbem comprar anúncios em buscas com o nome da marca deles; eles mesmos fazem isso.
- Tráfego incentivado. Se as pessoas recebem dinheiro ou bônus pela ação, quase sempre é uma permissão à parte.
- Formato. Às vezes a fonte é permitida, mas o formato não: native sim, popunder não.
Se a fonte não aparece em nenhuma lista, consiga a confirmação por escrito do gerente.
Regras para criativos e landings
O anunciante tem regras próprias de apresentação do produto, e elas não substituem as regras da plataforma de anúncios; somam-se a elas.
- Promessas. Não se pode atribuir ao produto propriedades que ele não tem: renda garantida, cura, resultado instantâneo.
- Uso da marca. Logo, nome, rostos de representantes, só dentro do permitido.
- Depoimentos e celebridades. Depoimentos inventados e falsas recomendações de famosos são proibidos pelo anunciante, pelas plataformas e pela lei em muitos países.
- Avisos legais. Para produtos financeiros e de saúde, avisos de risco muitas vezes são obrigatórios.
- Landings prontas. Se a rede oferece landings e pré-landings testadas, comece por elas: já foram aprovadas pelo anunciante.
Como montar anúncios que passem tanto nas regras do anunciante quanto nas da plataforma está no artigo criativos dentro das regras. As exigências das próprias plataformas devem ser conferidas na central de ajuda delas: mudam com frequência.
EPC e CR: como usar os números da rede
O EPC (earnings per click) é a receita média por clique. O CR (conversion rate) é a parcela de cliques que viraram conversão. Muitas redes mostram esses números na página da oferta, e eles são uma boa referência, com ressalvas:
- os números são a média de todos os afiliados, fontes e GEOs;
- são influenciados pelo tráfego de grandes equipes com operações já ajustadas;
- ofertas novas mostram valores instáveis com pouco volume.
Use o EPC da rede para afunilar a escolha, não para decidir. A decisão é tomada pelo seu EPC, a receita por clique do seu tráfego, que você descobre depois do teste. Fórmulas e relações entre as métricas estão no artigo métricas de afiliados.
Uma referência simples para o teste: se o seu EPC é menor que o custo do clique, a campanha dá prejuízo em qualquer volume. Se é maior, há com o que trabalhar.
Caps, duplicados e outras restrições
A letra miúda da página da oferta muitas vezes importa mais que a letra grande.
- Cap é o limite de conversões por dia ou semana. Se você passou do cap, os leads excedentes podem não ser pagos. Pergunte como a rede avisa que o cap acabou e o que acontece com o tráfego acima do limite.
- Duplicados. Um segundo lead da mesma pessoa normalmente não é pago. Descubra por qual dado o anunciante identifica o duplicado (telefone, e-mail, aparelho) e em que prazo.
- Idade e público. Muitos produtos têm restrição de idade e proibição de anunciar para grupos vulneráveis.
- Horário de atendimento. Um call center que não liga de madrugada recebe leads frios, e isso derruba a aprovação.
- Pagamento mínimo e calendário. Com que frequência e a partir de que valor a rede paga: disso depende quanto capital de giro você vai precisar.
Como saber se a oferta não combina com a fonte
Às vezes a oferta é boa, mas a operação não funciona. Sinais de incompatibilidade:
- há conversão na landing, mas a aprovação fica sempre abaixo da média da rede: o público da fonte não é aquele para o qual o produto foi pensado;
- muitos leads baratos rejeitados como fora do público: o criativo atrai as pessoas erradas;
- quase nenhuma conversão com passagem normal para a oferta: o produto não interessa a esse público ou a landing não inspira confiança.
Nesses casos, nem sempre é a oferta que precisa mudar: às vezes basta trocar o criativo, o GEO ou o formato da fonte. Mas se o quadro se repete em dois ou três criativos, a oferta não serve para esse tráfego.
Como testar uma oferta
- Escolha duas ou três ofertas parecidas da mesma vertical e GEO.
- Condições iguais. A mesma fonte, os mesmos criativos, o mesmo público; senão você compara operações, não ofertas.
- Divida o tráfego. Cada visita vai aleatoriamente para uma das ofertas, conforme os pesos definidos.
- Ligação do clique à conversão. O ID do clique vai no link de afiliado e volta no postback; como isso funciona está no artigo sobre click ID e sub ID.
- Espere as confirmações. Compare não os leads, e sim as conversões confirmadas e a receita, considerando o hold.
- Compare EPC e ROI, não CR: uma oferta com conversão alta e aprovação baixa perde.
Mais sobre como montar o teste no artigo sobre teste A/B de ofertas e landings.
Como comparar ofertas no ArtisanClo
Num fluxo do ArtisanClo em modo com tracker, você pode adicionar várias ofertas e distribuir o tráfego por peso: cada clique vai para uma oferta com a probabilidade definida. O link do anúncio não muda com o número de ofertas; a oferta é escolhida para cada visita depois de todas as verificações.
- Cada oferta tem a sua rede de afiliados. No cartão da oferta você escolhe a rede entre os modelos prontos, e o painel mostra o endereço de postback para colar na rede. O ID do clique vai num parâmetro da oferta e volta com a conversão.
- Preço do lead e da venda: definido na oferta e usado quando a rede não envia o valor.
- Os status da rede são traduzidos automaticamente: approved vira venda, pending vira hold, refund vira rejeitado, fraud vira lixo.
- Dinheiro por oferta. Em Relatórios, a tabela Dinheiro por recorte no recorte oferta mostra cliques, conversões, receita, custo, lucro e ROI; dá para ligar também as colunas EPC, CPA e Em espera. A receita é atribuída à data do clique, e as comissões em hold não entram na receita.
- Teste A/B de ofertas. Em Diagnóstico, na aba Ajuste automático, há um bloco de teste A/B: a conclusão sobre a melhor oferta aparece com confiança a partir de 95% e pelo menos 100 visitas em cada oferta.
- Ramos, a partir do plano Professional, permitem mandar visitantes diferentes para ofertas diferentes, por exemplo por país ou dispositivo, se a oferta tiver comissões diferentes por GEO. E os GEOs para os quais você não tem oferta podem ir para o smartlink da rede.
O catálogo de redes de afiliados com modelos de postback prontos está na página de redes de afiliados.
Erros comuns na escolha da oferta
- Escolher pela maior comissão. Sem considerar aprovação e hold, é loteria.
- Ignorar a lista de fontes. O jeito mais rápido de perder as conversões e a conta na rede.
- Concluir pelos leads antes das confirmações. Em uma semana, metade dos leads pode virar rejeição.
- Comparar ofertas com tráfegos diferentes. Aí você compara fontes, não ofertas.
- Criativo que promete mais que o produto. Derruba a aprovação, viola as regras da plataforma e abala a confiança do anunciante.
- Sem postback. Sem ligar clique e conversão, você não conhece o seu EPC e decide às cegas.
Resumo
Uma boa oferta não é a que tem a maior comissão do catálogo, e sim aquela em que comissão, aprovação, hold, GEO e fontes permitidas somam lucro com o seu tráfego. Leia a página inteira, siga as regras do anunciante e da plataforma, teste duas ou três ofertas em condições iguais e decida pelo seu EPC e ROI, considerando as confirmações. Por onde começar na profissão como um todo está no artigo arbitragem de tráfego para iniciantes.



