Teste de criativos e públicos: como chegar a uma conclusão confiável

Testar criativos e públicos é o trabalho principal do media buyer: é aqui que nascem os funis que depois são escalados, e é aqui que mais verba vai pelo ralo quando se testa sem método.

Media buying11 min de leitura
Teste de criativos e públicos: como chegar a uma conclusão confiável
Conteúdo
  1. Por que o media buyer precisa testar criativos e públicos
  2. Hipótese antes do teste: o que exatamente você está verificando
  3. Estrutura do teste: uma variável por vez
  4. Marcação: como ligar o criativo ao dinheiro
  5. Quantos dados são necessários para concluir
  6. Saturação de criativos: quando é hora de trocar
  7. Como conduzir o teste de criativos no ArtisanClo
  8. Exemplo de teste de públicos do começo ao fim
  9. Erros típicos nos testes
  10. Resumo

A boa notícia: encontrar um criativo e um público que funcionam é trabalho de ofício, não de mística. A má: sem disciplina, até um teste bem-sucedido é fácil de ler errado. A plataforma mostra o CTR e o custo por clique, a rede de afiliados mostra leads e aprovação, e entre os dois há bots, verificações e acaso. A seguir, um método de teste de criativos e públicos que ajuda a separar o sinal do ruído.

Por que o media buyer precisa testar criativos e públicos

Toda campanha se apoia na combinação de três coisas: para quem mostramos, o que mostramos e para onde levamos. O teste de criativos e públicos responde às duas primeiras perguntas. A terceira — oferta e pré-landing — é verificada com o split test de ofertas e landings.

Os testes não servem só no começo. Criativos saturam, públicos se esgotam, concorrentes mudam os lances. O media buyer que parou de testar descobre, um ou dois meses depois, que o funil lucrativo foi silenciosamente a zero. Saber montar esses testes é uma das principais habilidades de quem decidiu virar media buyer.

Hipótese antes do teste: o que exatamente você está verificando

Teste sem hipótese é só gastar dinheiro torcendo pela sorte. Antes de começar, escreva em uma frase:

  • o que você muda — abordagem, formato, público, geo, posicionamento;
  • o que espera — por exemplo, aumento do CTR ou queda do custo por lead;
  • por qual métrica decide — e qual o mínimo de dados para concluir.

Exemplo de formulação: «Um vídeo demonstrando o produto vai dar CTR maior que uma imagem estática com texto, no mesmo público. Comparo por CTR e custo por lead depois que cada variante acumular o mesmo número de impressões».

O que testar nos criativos

Variável Exemplos de variantes
Ângulo Benefício, solução de problema, prova social, curiosidade
Formato Imagem estática, vídeo, carrossel, vídeo vertical curto
Primeiro quadro ou título Pergunta, afirmação, número, chamada direta ao público
Estilo visual Conteúdo «gravado no celular», de estúdio, ilustração
Chamada para ação «Saiba mais», «Faça o teste», «Receba a oferta»

Os criativos têm de respeitar as regras da plataforma: nada de promessas falsas, «antes/depois» enganosos ou depoimentos inventados. Em detalhes, como fazer criativos que passam na moderação de forma honesta está no artigo sobre criativos dentro das regras.

O que testar nos públicos

  • Geo — países e regiões com poder de compra diferente. Como os países são divididos está no artigo sobre geos e tiers.
  • Demografia — idade e gênero, se a plataforma oferece e as regras permitem para a sua categoria.
  • Interesses e comportamento — segmentos estreitos contra segmentação ampla.
  • Públicos semelhantes (lookalike) — com base nas suas conversões, se você já as tem.
  • Dispositivos e SO — tráfego mobile e desktop costumam converter de forma diferente.
  • Horário de exibição — algumas ofertas convertem em certos horários, quando o call center do anunciante está funcionando.

Estrutura do teste: uma variável por vez

A regra principal é mudar uma coisa só. Se num mesmo teste mudam o criativo, o público e a oferta, você não vai saber o que funcionou.

Um esquema prático para teste de criativos:

  1. Uma campanha, um público, um geo.
  2. Cada criativo num conjunto de anúncios separado, com orçamento igual, se você precisa de comparação justa. Se aceita confiar na otimização da plataforma, todos os criativos no mesmo conjunto — mas lembre que o algoritmo vai escolher a favorita cedo.
  3. Lances e agenda iguais.
  4. Link com parâmetros que carregam o identificador do criativo.

Para teste de públicos é o contrário: um ou dois criativos validados, conjuntos diferentes para públicos diferentes.

Dica. Nomeie campanhas e conjuntos por um padrão: data, geo, público, criativo. Daqui a um mês, «Test 3 copy copy» nos relatórios não vai dizer nada.

Marcação: como ligar o criativo ao dinheiro

O painel da plataforma vê os cliques e, às vezes, as conversões do próprio pixel. A rede de afiliados vê os leads e a aprovação. Para saber qual criativo trouxe dinheiro, e não só cliques, o identificador do criativo precisa chegar ao tracker e ficar gravado no clique.

Isso se faz com as macros da plataforma no link do anúncio. Exemplo ilustrativo:

https://example.com/?sub1={campaign_id}&sub2={adset_id}&sub3={ad_id}&sub4={placement}

Cada plataforma tem nomes de macro próprios. Mais no artigo sobre parâmetros UTM e macros e no texto sobre click ID e Sub ID. Quando a rede de afiliados confirma o lead por postback, o tracker encontra o clique e registra a receita no criativo que estava no parâmetro.

Quantos dados são necessários para concluir

O erro mais comum é decidir pelos primeiros dez cliques. Amostra pequena dá resultado aleatório, que pode apontar para qualquer lado.

As referências dependem da métrica:

Métrica de decisão Quando há dados suficientes
CTR Milhares de impressões por variante; o CTR é o que estabiliza mais rápido
Custo por clique Depois que o conjunto sai da fase de aprendizado da plataforma
CR e custo por lead Dezenas de conversões por variante, não unidades
ROI Só depois que a rede de afiliados aprova os leads

Exemplo ilustrativo: o criativo A deu 3 leads em 150 cliques, o criativo B, 1 lead em 140 cliques. Parece que A é três vezes melhor. Mas uma diferença de dois leads é ruído: amanhã a proporção pode se inverter. Para comparar CR, são necessárias ao menos algumas dezenas de conversões em cada variante. Se o orçamento não permite, compare por métricas mais próximas do topo do funil — CTR e custo por clique — e use o CR só para uma conclusão preliminar.

Considere aprovação e hold

Os leads chegam na hora, mas a confirmação da rede de afiliados vem horas ou dias depois. Um criativo que dá leads baratos pode trazer pessoas que não atendem o telefone ou não passam na verificação. Compare as variantes pela receita aprovada, quando estiver disponível. Sobre status, veja o artigo sobre status de conversão.

Separe os bots das pessoas

Se muito tráfego de bots vai para um conjunto de anúncios, o CTR dele pode parecer ótimo, mas não haverá conversões. Bots, verificações da plataforma e cliques fraudulentos distorcem o teste, principalmente em fontes push, pop e nativas. Como reconhecer esse tráfego está na análise de sinais de tráfego de bots.

Testes em plataformas diferentes

O método é o mesmo, mas os detalhes dependem da fonte. Em redes sociais com otimização automática, é importante deixar os conjuntos saírem da fase de aprendizado e não mexer neles no caminho. Em fontes push, pop e nativas, testam-se também os sites dentro da rede: o mesmo anúncio em sites parceiros diferentes dá resultados completamente diferentes, e os placements lixo são desligados com base no relatório. Na busca, a variável principal são as palavras-chave e os textos dos anúncios, não o visual.

Saturação de criativos: quando é hora de trocar

Criativo não vive para sempre. Sinais de saturação:

  • o CTR cai devagar, mas de forma constante, vários dias seguidos;
  • a frequência por pessoa aumenta;
  • o custo por clique sobe com o mesmo lance;
  • o CR cai, embora a oferta e a landing não tenham mudado.

A melhor estratégia é ter de reserva variações do criativo que funciona: outro primeiro quadro, outra cor, outro título sobre a mesma ideia. Ideia nova é teste novo; variação de uma ideia que funciona é um jeito barato de prolongar a vida do funil.

Como conduzir o teste de criativos no ArtisanClo

No ArtisanClo, o teste é fácil de montar sobre os parâmetros do fluxo. O número de parâmetros SubID não é limitado pelo plano, então dá para marcar no link o criativo, o conjunto, o público, o placement e o media buyer ao mesmo tempo.

  • Em Relatórios, a tabela «Dinheiro por recorte» mostra cliques, conversões, CR, receita, custo, lucro e ROI pelos parâmetros sub1–sub10, além de país, dispositivo, fonte e oferta.
  • O Construtor de relatórios monta uma árvore agrupada por níveis, por exemplo «país → parâmetro do criativo»; nele estão disponíveis os parâmetros a partir de sub11 e os parâmetros do link da fonte. O relatório pode ser salvo e baixado em CSV.
  • Em Estatísticas aparece a parcela de cliques filtrados como bots e verificações, além dos recortes por geo, dispositivo, navegador e provedor — isso ajuda a ver se o teste está distorcido por tráfego lixo.
  • Os Ramos (a partir do plano Professional, nos modos com tracker) enviam visitantes diferentes para ofertas diferentes por país, dispositivo, parâmetro do link ou tag da campanha — assim um único link de anúncio serve para vários públicos.

Se você trabalha no modo «Cloaking» junto com um tracker externo — Keitaro, Binom ou outro —, o CR e a receita também aparecem nas estatísticas depois de configurar o recebimento de conversões. Mais sobre os recursos na página de funcionalidades.

Exemplo de teste de públicos do começo ao fim

Os números do exemplo são ilustração, não norma para alguma oferta.

Tarefa. Há um criativo que já trouxe leads num público amplo. É preciso descobrir qual público dá o cadastro aprovado mais barato.

Hipótese. O público por interesse no tema da oferta vai dar custo por cadastro aprovado menor que a segmentação ampla e o público semelhante.

Estrutura. Três conjuntos de anúncios: público amplo, interesses, semelhante. O mesmo criativo, o mesmo orçamento diário, a mesma agenda. No parâmetro sub2, o nome do público; no sub3, o identificador do criativo.

Limite. Cada conjunto gasta no máximo dois payouts sem lead; a comparação final vem depois que a rede de afiliados aprova os cadastros.

Resultado uma semana depois.

Público Cliques Leads Aprovação Custo por cadastro aprovado
Amplo 1 400 21 52% abaixo da média
Interesses 1 100 19 32% acima da média
Semelhante 1 250 17 65% o mais baixo

Em leads, o melhor é o público amplo. Em dinheiro, o semelhante: menos cadastros, mas mais aprovados. O público por interesses dá muitos leads com aprovação baixa — provavelmente as pessoas se interessam pelo tema, mas não estão prontas para comprar. Se o media buyer parasse no número de leads, escalaria o conjunto errado.

Próximo passo. No público semelhante começa o teste de criativos: duas ou três variações da ideia que funciona contra o criativo original.

Como registrar os resultados dos testes

Crie uma tabela simples de testes: data, hipótese, o que mudou, verba, resultado, conclusão. Em um mês ela vira uma base de conhecimento: você vê quais ângulos funcionam na sua vertical, quais públicos dão aprovação de forma estável e quais ideias não vale repetir. Numa equipe, essa tabela economiza dinheiro de todos os media buyers, não só de quem fez o teste.

Erros típicos nos testes

  • Teste sem limite. Antes de começar, decida quanto está disposto a gastar e o que será «fracasso». Como definir o valor e os critérios de parada está no artigo sobre orçamento e lances.
  • Condições diferentes para as variantes. Um criativo começou de manhã, outro à noite — você está comparando horários do dia.
  • Parar no pico. A variante que disparou nas primeiras horas muitas vezes «volta» para a média.
  • Variantes demais. A verba se dilui e nenhuma variante junta dados.
  • Conclusões sem registro. Um teste não documentado acaba tendo de ser repetido.

Resumo

O teste de criativos e públicos é um experimento controlado: hipótese, uma variável, condições iguais, marcação até o nível do criativo, verba e limite de dados definidos de antemão. Compare as variantes pelo dinheiro, não pelos cliques, considere a aprovação e não esqueça os bots. O funil encontrado não precisa receber verba toda de uma vez — primeiro confirme que ele é estável e só então passe à escala de campanhas.

Perguntas frequentes

01

Quantos criativos testar ao mesmo tempo?

Quantos couberem para que cada um receba impressões suficientes com o seu orçamento. Com pouca verba de teste, três a cinco criativos são melhores que quinze: com muitas variantes nenhuma acumula estatística, e a plataforma escolhe sozinha a favorita pelos primeiros cliques aleatórios.

02

O que testar primeiro: criativo ou público?

Normalmente primeiro o público e o geo, com um ou dois criativos validados, e depois os criativos no público encontrado. O público influencia mais o preço e a conversão, enquanto o criativo costuma ajudar a melhorar um funil que já funciona.

03

Por que o criativo parou de funcionar depois de uma semana?

É a saturação: o público já viu o anúncio, a frequência sobe, o CTR cai e o custo por clique aumenta. A solução é ter de reserva novas variações da mesma ideia e trocá-las antes que o funil entre no prejuízo.

04

Dá para confiar na otimização da plataforma ao testar criativos?

Em parte. O algoritmo entrega rapidamente as impressões à variante de que gostou pelos primeiros dados, e os outros criativos podem nunca ter chance. Se você precisa de uma comparação justa, separe as variantes em conjuntos de anúncios diferentes com orçamento igual.

05

Como saber que o teste terminou?

Quando o limite definido de antemão foi atingido: a verba do teste foi gasta ou cada variante juntou o número necessário de cliques e conversões. Se o limite não foi atingido, a conclusão é precipitada, mesmo que a diferença pareça grande.

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