O Google Ads tem a sua própria lógica de rastreamento, bem diferente das redes sociais: há marcação automática, um sistema de modelos em dois níveis e dezenas de parâmetros ValueTrack. Configurados uma vez do jeito certo, o tracker recebe a palavra-chave, o tipo de correspondência e a rede de cada clique, e o Google recebe conversões aprovadas para as estratégias de lances inteligentes.
Como funciona o rastreamento do Google Ads
Um esquema de cinco elos:
- A marcação automática acrescenta ao link o
gclid— o ID do clique. - O modelo de acompanhamento ou o sufixo do URL final passa ao tracker a campanha, o grupo, o anúncio, a palavra-chave e a rede.
- O tracker registra o clique e envia a pessoa para a oferta com o ID do clique para a rede de afiliados.
- O postback da rede traz o cadastro e o status.
- A importação de conversões devolve ao Google Ads os eventos aprovados pelo
gclid.
gclid, wbraid, gbraid e marcação automática
O gclid (Google Click Identifier) é o ID de clique que o Google acrescenta ao link quando a marcação automática está ativada. Ela é ativada nas configurações da conta. Sem ela:
- não dá para importar conversões off-line pelo ID do clique;
- o tracker não recebe o identificador com o qual depois informaria o Google sobre o cadastro.
Em parte do tráfego de dispositivos Apple, no lugar do gclid podem chegar wbraid e gbraid. Salve-os junto com o gclid. Nos links vindos do Google aparece também o parâmetro gad_source — vale não cortá-lo.
Dica. Confira se o seu site ou redirecionamento não remove parâmetros «desconhecidos». Alguns CMS e plugins de cache tiram do endereço tudo o que sobra, e o
gclidse perde antes de o tracker vê-lo.
Mais sobre os IDs de clique das plataformas no artigo fbclid, gclid, ttclid, yclid.
Modelo de acompanhamento e sufixo do URL final
No Google Ads, os parâmetros não vão no endereço do anúncio, e sim em campos separados. Eles podem ser definidos no nível da conta, da campanha, do grupo ou do anúncio — o nível mais baixo sobrepõe o mais alto.
| Campo | O que faz | Quando usar |
|---|---|---|
| URL final | Endereço da landing | Sempre; sem parâmetros |
| Sufixo do URL final | Acrescenta parâmetros ao URL final | O tracker está na sua landing |
| Modelo de acompanhamento | Endereço pelo qual o clique passa; {lpurl} é o URL final |
O clique precisa passar por um domínio de rastreamento |
| Parâmetros personalizados | Variáveis próprias do tipo {_name} |
Parâmetros seus que mudam entre campanhas |
Se o rastreamento roda direto na sua landing, o sufixo basta:
utm_source=google&utm_medium=cpc&utm_campaign={campaignid}&utm_content={creative}&utm_term={keyword}&sub2={adgroupid}&sub3={matchtype}&sub4={network}&sub5={device}
O modelo de acompanhamento é necessário quando o clique precisa passar primeiro pelo servidor do tracker. Cada passagem a mais alonga o carregamento, então não o acrescente sem necessidade.
Parâmetros personalizados
Além do ValueTrack, o Google permite definir variáveis próprias no nível da campanha ou do grupo — por exemplo, {_buyer} ou {_offer} — e usá-las no sufixo:
sub6={_buyer}&sub7={_offer}
Você define o valor da variável uma vez nas configurações da campanha, e ele entra em todos os cliques dela. Isso é útil quando vários media buyers trabalham na mesma conta ou quando uma campanha leva a ofertas diferentes em períodos diferentes: o relatório do tracker mostra na hora de quem é o tráfego e para qual oferta ele foi, sem marcar cada anúncio à mão.
Parâmetros ValueTrack para o tracker
ValueTrack são as macros do Google entre chaves simples. As mais úteis para o rastreamento:
| Parâmetro | O que é inserido | Para que serve no relatório |
|---|---|---|
{campaignid} |
ID da campanha | Cruzar com o custo |
{adgroupid} |
ID do grupo de anúncios | Recorte por grupo |
{creative} |
ID do anúncio | Comparar anúncios |
{keyword} |
Palavra-chave | Quais buscas dão dinheiro |
{matchtype} |
Tipo de correspondência | Ampla contra exata |
{network} |
Rede | Pesquisa, parceiros, Display, YouTube |
{device} |
Tipo de dispositivo | Mobile contra desktop |
{placement} |
Site na Rede de Display | Desligar sites lixo |
{targetid} |
ID da segmentação | Palavra-chave, público ou remarketing |
{gclid} |
ID do clique | Se for preciso passá-lo com nome próprio |
Os valores de {network} e {matchtype} chegam como códigos curtos de letras — a explicação está na ajuda do Google Ads. A análise completa das macros das plataformas está no artigo parâmetros UTM e macros.
Particularidades dos tipos de campanha
- Pesquisa — o recorte principal é por palavra-chave e tipo de correspondência.
- Rede de Display — o posicionamento: é por ele que você encontra os sites que comem a verba sem converter. Sites em que quase todo o tráfego é bot devem ser excluídos no próprio Google Ads, para você parar de pagar por eles.
- YouTube — parte dos parâmetros ValueTrack vem vazia aqui; apoie-se nos IDs de campanha e de grupo.
- Performance Max — não há palavras-chave nem posicionamentos no formato habitual, os recortes são mais pobres. O valor principal do rastreamento aqui é devolver as conversões do jeito certo.
Envio de conversões ao Google Ads
As estratégias de lances inteligentes aprendem com as conversões. Se você manda tráfego para a oferta de uma rede de afiliados, não há onde colocar a tag do Google na página de «Obrigado». A solução é a importação de conversões off-line pelo gclid:
- No Google Ads, cria-se uma ação de conversão com a origem «Importação».
- O tracker recebe o postback da rede e salva a conversão com o status.
- As conversões são enviadas ao Google — pela API ou por arquivo.
O arquivo é a opção simples, sem chaves. Colunas mínimas: ID do clique, nome da conversão, hora com fuso horário, valor e moeda. O Google consegue buscar esse arquivo numa programação, por um endereço. Exemplo de formato e configuração da API no artigo envio de conversões às plataformas de anúncios.
O que enviar: cadastro ou aprovação
- Cadastro — rápido e com muitos eventos, mas a estratégia vai aprender também com leads lixo.
- Aprovação — preciso, mas com o atraso do hold e em menor volume.
Um esquema comum são duas ações: o lead como conversão secundária, para observação, e a aprovação como principal, para os lances. Sobre os status, veja o artigo lead, hold, aprovado, rejeitado.
Atribuição e divergências com o tracker
O Google e o tracker contam de formas diferentes, e isso é normal.
| Motivo | O que acontece |
|---|---|
| Data do clique | O Google atribui a conversão ao dia do clique; uma aprovação tardia «reescreve» dias passados |
| Janela de conversão | A conversão só conta dentro da janela definida para a ação |
| Modelo de atribuição | O Google pode dividir a conversão entre vários cliques do usuário; o tracker a liga a um só |
| Colunas «Conversões» e «Todas as conv.» | Na primeira, só as ações incluídas na otimização |
| Atraso da importação | As conversões importadas não aparecem nos relatórios na hora |
| Fusos horários | O fuso da conta do Google e o do tracker podem ser diferentes; no arquivo, a hora vai com o fuso |
Dica. Não tire conclusões pelo «ontem» do Google Ads se as aprovações chegam com atraso. Olhe um período já fechado pelo hold ou compare com o tracker pela data do clique.
Custo e relatórios
No Google, o custo é cobrado por clique, mas cada clique tem um preço diferente. Por isso:
- o modelo CPC no tracker é uma estimativa aproximada;
- o lançamento manual por dia é preciso, mas exige disciplina;
- a importação da conta pelo ID da campanha é a opção mais prática, se o tracker oferecer.
Recortes que valem a pena para o Google Ads: campanha → grupo → palavra-chave, tipo de correspondência, rede, dispositivo, site da Rede de Display. Como calcular o resultado está nos artigos como calcular lucro e ROI e métricas para afiliados.
Rastreamento do Google Ads no ArtisanClo
No ArtisanClo, o Google Ads é descrito como fonte de tráfego a partir de um modelo. Na fonte definem-se os parâmetros (palavra-chave, preço, ID do clique da plataforma, do criativo, da campanha, posicionamento, parâmetros SubID sem limite) e o modelo de preço do clique. No fluxo com tracker, a fonte distribui esses parâmetros nos parâmetros da campanha, a partir dos quais se monta o link. Os identificadores de clique gclid, wbraid e gbraid são reconhecidos e gravados no cartão do clique.
O envio de conversões ao Google Ads tem duas opções nos planos superiores:
- Direto — pelo número da conta e pela chave da conta de serviço do seu Google Cloud.
- Por arquivo programado — sem chaves: o endereço do arquivo é colado no Google Ads em «Metas → Conversões → Uploads → Programações». O arquivo traz leads e vendas dos últimos 90 dias dos cliques com
gclid.
O custo, no plano Business, é importado da conta toda manhã, referente aos últimos 3 dias: são necessários o ID da conta do Google Ads e o developer token. A campanha é ligada ao fluxo pelo ID da campanha nos cliques, por isso {campaignid} no sufixo é obrigatório. Sem importação, o custo do dia é lançado à mão em «Relatórios».
Em «Dinheiro por recorte» estão disponíveis fluxo, fonte, dia, país, oferta, dispositivo e parâmetros sub1–sub10, e no construtor de relatórios, os demais parâmetros e os parâmetros dos links das fontes, como a palavra-chave. O envio de conversões funciona em fluxos com tracker. Mais sobre a plataforma na página do Google Ads, e as condições dos planos, na página de preços.
Configuração passo a passo antes de começar
- Ative a marcação automática nas configurações da conta do Google Ads.
- Crie a fonte Google Ads no tracker e defina o modelo de preço do clique.
- Monte o sufixo do URL final com
{campaignid},{adgroupid},{creative},{keyword},{matchtype},{network}e os seus parâmetros. Defina-o no nível da conta e sobreponha em campanhas específicas só quando necessário. - Confira se o site não corta parâmetros: abra a landing com
gclideutm_*de teste e veja se eles chegaram ao tracker. - Configure o postback na rede de afiliados e o envio do ID de clique do tracker no link da oferta.
- Crie uma ação de conversão com a origem «Importação» e decida se ela será principal para os lances ou secundária.
- Ative a importação: pela API ou por arquivo programado.
- Depois das primeiras conversões, confira no Google Ads o status dos uploads: aceitas, rejeitadas e os motivos da rejeição.
Parâmetros manuais ou só marcação automática
Às vezes perguntam: se existe o gclid, para que UTMs e ValueTrack? Porque o gclid, sozinho, não diz nada ao tracker — é só um número. Quem consegue decifrá-lo em campanha e palavra-chave é o Google. Já o tracker precisa da campanha, do grupo, da palavra-chave e da rede no próprio clique para montar os relatórios na hora, e não depois de exportar da conta. Por isso a marcação automática e os parâmetros manuais trabalham juntos: a primeira para devolver as conversões, os segundos para os seus relatórios.
Erros comuns no rastreamento do Google Ads
- Marcação automática desligada — sem
gclid, a importação de conversões é impossível. - O site corta parâmetros — o
gclidse perde no primeiro redirecionamento. - Parâmetros no URL final em vez do sufixo — para mudar um parâmetro é preciso editar o endereço em cada anúncio, e ao duplicá-los é fácil quebrar tudo.
- wbraid e gbraid não salvos — parte das conversões de iOS não volta.
- Hora no arquivo sem fuso horário — as conversões são rejeitadas ou caem no dia errado.
- Enviar aprovações uma vez por mês — parte dos cliques passa do prazo permitido.
Resumo
O rastreamento do Google Ads é marcação automática e gclid preservado, sufixo do URL final com os parâmetros ValueTrack necessários, postback da rede e importação regular das conversões de volta à conta. As divergências com o tracker se explicam pela data do clique, pela janela e pelo modelo de atribuição. Para decisões sobre lucro, apoie-se no tracker e na rede de afiliados, e passe ao Google os eventos aprovados, para que as estratégias aprendam com compradores reais.



