A discussão «postback ou pixel» costuma terminar com «postback é melhor» — o que é verdade só pela metade. O pixel não sumiu: na sua própria landing page ele é indispensável, e as plataformas de anúncios continuam pedindo o código delas na página. Vamos ver como funciona cada método, onde ele quebra e como combiná-los.
Duas formas de saber da conversão
Todo rastreamento de conversões responde à pergunta: qual clique gerou o cadastro ou a compra. A resposta chega por um de dois caminhos:
- Pixel (client-side) — o sinal é enviado pelo navegador do visitante. Na página de obrigado carrega uma imagem ou script que faz uma requisição ao tracker.
- Postback (server-to-server, S2S) — o sinal é enviado por um servidor. A rede de afiliados ou o seu backend, ao registrar a conversão, chama ele mesmo o endereço do tracker.
Como funcionam a postback URL e seus macros está em detalhes no artigo postback no marketing de afiliados: configurando o S2S. Aqui vamos focar na comparação.
Como funciona o pixel
O pixel clássico é uma linha na página de confirmação:
<img src="https://tracker.example/pixel?event=lead" width="1" height="1" alt="">
Ou um script que faz o mesmo com uma requisição em JavaScript. Para o tracker entender a qual clique o evento pertence, é preciso o ID do clique. O pixel o obtém de uma destas formas:
- de um cookie que o tracker gravou no clique;
- de um parâmetro que você carregou por todas as páginas até o obrigado;
- do armazenamento do navegador, onde o código o guardou na landing page.
Qualquer uma dessas formas pode falhar. E é exatamente aí que o pixel perde conversões.
Onde o pixel perde dados
- Bloqueadores de anúncios. Muitas extensões e navegadores cortam requisições a domínios de rastreamento conhecidos.
- Limitações de cookies. Os navegadores reduzem a duração e o alcance dos cookies, principalmente os de terceiros. Se o clique foi num domínio e o obrigado em outro, o cookie pode simplesmente não estar lá.
- Navegadores internos de apps. Facebook, Instagram e TikTok abrem o link no navegador interno. A pessoa deixou o cadastro ali, o cookie ficou ali — e quando ela abre de novo no navegador normal, a ligação se perdeu.
- O usuário não chegou ao obrigado. Enviou o formulário, mas a página de confirmação não carregou por rede lenta ou aba fechada.
- Sem status. O pixel dispara uma vez, no momento do cadastro. Ele não fica sabendo que, três dias depois, o call center aprovou o lead ou o recusou como duplicado.
Para quem trabalha com afiliados, o último ponto é o mais doloroso: você é pago pela aprovação, não pelo cadastro. Veja o artigo sobre status de conversão: lead, hold, aprovado, recusado, lixo.
Como funciona o postback
No postback, o ID do clique vai adiante no link da oferta: o tracker o coloca num parâmetro, por exemplo sub1, e a rede de afiliados guarda junto com o cadastro. Quando o status do cadastro muda, a rede chama o endereço do tracker:
https://tracker.example/postback?click_id={sub1}&status={status}&payout={payout}&txid={transaction_id}
O navegador do visitante não participa dessa cadeia. Daí as principais vantagens:
- sem dependência de cookies e bloqueadores — a requisição vai de servidor para servidor;
- chegam todos os status — lead, hold, aprovado, recusado, cada um na sua mensagem;
- chega o valor — a rede envia payout, moeda e ID da transação;
- menos divergência com o painel da rede.
Onde o postback quebra
O postback não é mágico. Ele falha em lugares previsíveis:
- o ID do clique não foi colocado no link da oferta — a rede devolve valor vazio;
- a postback URL usa o macro errado da rede;
- a rede devolveu o ID de clique de um tracker externo que o seu tracker não conhece;
- a postback URL foi colocada na oferta errada ou no nível errado (global contra por oferta).
Todos esses erros aparecem no log de postbacks recebidos, se houver um: o resultado «clique não encontrado» ou «sem click_id» já diz onde procurar. A análise do ID do clique em si está no artigo Click ID e Sub ID.
Postback x pixel: comparação
| Pixel | Postback (S2S) | |
|---|---|---|
| Quem envia | Navegador do visitante | Servidor da rede ou o seu servidor |
| Bloqueadores e cookies | Afetam | Não afetam |
| Mudança de status (hold, aprovado, recusado) | Não | Sim |
| Valor do payout | Só se você souber na página | A rede envia |
| O que configurar | Código na página de obrigado | ID do clique no link da oferta + URL no painel da rede |
| Quando é insubstituível | Landing page própria sem acesso ao servidor | Trabalho com redes de afiliados |
| Perda típica | Parte das conversões não chega | As conversões existem, mas não se ligam ao clique por erro de configuração |
Repare na última linha. O pixel perde dados «em silêncio» e de forma imprevisível. O erro de postback costuma ser sistêmico: se configurou errado, nada chega, e isso se vê na hora.
Pixel da plataforma e eventos de servidor
A palavra «pixel» no mundo dos afiliados significa duas coisas diferentes, que muita gente confunde:
- Pixel do tracker — informa a conversão ao seu tracker. É do que falamos acima.
- Pixel da plataforma de anúncios (Meta Pixel, TikTok Pixel, tag do Google Ads) — informa o evento ao sistema de anúncios, para o algoritmo dele entender a quem mostrar o anúncio.
O segundo tem o mesmo problema: código de navegador perde eventos. Por isso as plataformas criaram equivalentes de servidor:
- a API de Conversões da Meta (como ela funciona com macros e fbclid está no artigo tracking de Facebook Ads);
- a Events API do TikTok;
- a importação de conversões offline por
gclidno Google Ads.
Na prática, é um postback para a plataforma de anúncios: o seu servidor ou tracker envia o evento com o ID de clique da plataforma. Como configurar isso em cada plataforma está no artigo envio de conversões às plataformas de anúncios, e os IDs de clique, no material fbclid, gclid, ttclid, yclid.
Como combinar pixel e postback sem duplicatas
Um erro comum é colocar o pixel da plataforma na página de obrigado e, ao mesmo tempo, enviar a mesma conversão pelo canal de servidor. Resultado: a plataforma vê dois leads onde houve um e aprende com números inflados.
Há duas opções saudáveis:
- Separar os eventos. O pixel do navegador informa a visualização da página ou o início do preenchimento do formulário, e lead e compra vão só pelo canal de servidor.
- Deduplicar. Enviar o mesmo evento pelos dois caminhos, mas com o mesmo ID de evento. As plataformas que suportam deduplicação contam uma vez só. Como o ID é passado, veja na ajuda da própria plataforma.
Dica. Antes de ativar o segundo canal, escolha um sistema como «fonte da verdade» para as conversões — normalmente os dados da rede de afiliados que chegaram por postback. Todo o resto deve bater com ele.
Exemplo: um cadastro por três caminhos
Digamos que alguém veio do anúncio no navegador interno de uma rede social, deixou um cadastro numa oferta de rede de afiliados e, dois dias depois, o call center o aprovou. Vejamos o que cada canal enxerga.
| Evento | Pixel do tracker no obrigado | Postback da rede | Envio de servidor à plataforma |
|---|---|---|---|
| Cadastro feito | Dispara se você controla a página de obrigado e o ID do clique sobreviveu até ela | A rede envia o lead com o ID do clique | O tracker envia o evento «lead» com o ID de clique da plataforma |
| A página de obrigado não carregou | Evento perdido | Não afeta | Não afeta |
| Dois dias depois, aprovação | Não fica sabendo | A rede envia o novo status da mesma transação | O tracker pode enviar o evento de aprovação |
| Lead considerado duplicado | Não fica sabendo | A rede envia recusa ou lixo | A plataforma não recebe um falso sinal de compra |
A tabela mostra o principal: numa cadeia com rede de afiliados, o pixel do tracker simplesmente não é necessário — em geral você nem tem acesso à página de obrigado do lado da rede. Toda a informação chega por postback, e o tracker a repassa à plataforma pelo servidor.
Como verificar se as conversões chegam
Seja qual for o método, antes de lançar percorra a cadeia à mão:
- Faça um clique de teste no link do anúncio pelo seu dispositivo e encontre-o no log de cliques do tracker.
- Olhe o endereço da oferta: o ID do clique deve estar no parâmetro certo, não vazio e não como texto do macro.
- Envie um cadastro de teste ou peça ao gerente da rede para disparar um postback de teste com esse ID.
- Confira o log de postbacks recebidos: o resultado deve ser «lead registrado», e não «clique não encontrado».
- Para o pixel, abra a página de obrigado com as ferramentas de desenvolvedor do navegador e confirme que a requisição sai e recebe resposta.
- Para o envio de servidor à plataforma, confira a seção de eventos de teste no gerenciador dela.
Dica. Repita a verificação depois de cada mudança na landing page, troca de oferta ou de rede. A maioria das conversões que «sumiram de repente» é um novo link de oferta sem o parâmetro com o ID do clique.
O que escolher: esquema rápido
- Manda tráfego para a oferta de uma rede de afiliados — postback da rede para o tracker. Pixel do tracker não é necessário.
- Manda para a sua landing page com formulário e tem acesso ao servidor — informe o cadastro a partir do processamento do formulário. É a mesma abordagem de servidor, só que a «rede» é você.
- Landing page própria, mas sem acesso ao código do servidor (construtor de sites, desenvolvedor terceiro) — script ou pixel na página de obrigado. Aceite uma pequena perda e confira com a base de cadastros.
- Precisa que a plataforma otimize para conversões — envio de servidor à conta de anúncios por cima de qualquer uma das opções acima.
Como funciona no ArtisanClo
No ArtisanClo as conversões são recebidas na seção «Recebimento de conversões»; o endereço de recebimento é um só para a conta inteira.
- Redes de afiliados — cerca de 300 templates prontos: o template já indica em que parâmetro a rede recebe o ID do clique, como os status dela correspondem aos nossos, e traz a postback URL montada para o painel da rede.
- Site próprio — para landing page com formulário, três opções: código para o processamento do formulário, script para a página de obrigado ou pixel. Dá para testar a ligação com um cadastro de teste.
- Tracker externo — templates prontos para trabalhar junto com um tracker de terceiros.
As mensagens recebidas aparecem no log com o resultado: «lead registrado», «clique não encontrado», «sem click_id» e outros. Os status das redes são convertidos automaticamente, e uma nova mensagem com o mesmo ID de transação atualiza o registro em vez de criar outro. Um novo cadastro do mesmo visitante dentro da janela de unicidade é gravado como «Lixo», marcado como duplicado.
A direção inversa fica no cartão da fonte de tráfego: postback para a fonte (a plataforma recebe o próprio ID de clique e o status, e o envio é feito uma vez por conversão e status) e, nos planos superiores, envio direto à Meta, ao TikTok e ao Google Ads com as suas chaves. O envio funciona nos fluxos com tracker. O que entra em cada plano está na página de planos, e a lista completa de funções, em recursos.
Resumo
Postback e pixel não são rivais, e sim ferramentas para situações diferentes. Com rede de afiliados, use postback: ele não depende do navegador e traz todos os status. Na sua landing page, informe o cadastro pelo servidor e deixe o pixel para quando não houver acesso ao servidor. Para a plataforma de anúncios, envie eventos pelo canal de servidor e não os duplique pelo navegador. Quando as conversões batem, dá para ir ao que importa — calcular lucro e ROI.



