Quanto da verba de anúncios vai para bots e como calcular isso

“Deve ter uns dez por cento de bots” é uma impressão, não um número. Dá para calcular a perda com tráfego lixo pelas suas próprias estatísticas, e ela quase sempre é maior que a porcentagem de cliques inválidos vezes o CPC.

Bots e fraude10 min de leitura
Conteúdo
  1. Por que as perdas são maiores do que parecem
  2. Passo 1. Descubra a porcentagem de cliques inválidos
  3. Passo 2. Calcule as perdas diretas
  4. Passo 3. Calcule as conversões perdidas
  5. Passo 4. Estime o custo da otimização distorcida
  6. Exemplo de cálculo com números fictícios
  7. Armadilhas do cálculo
  8. Como acompanhar a fatia de tráfego lixo com regularidade
  9. Como o ArtisanClo ajuda
  10. Conclusão

Quase todo gestor de tráfego desconfia que parte da verba vai para bots. Bem menos gente sabe quanto exatamente. Sem um número, fica difícil decidir: vale desativar o placement, pedir reembolso, mudar o filtro — ou é um ruído aceitável que não merece seu tempo?

Neste artigo vamos ver como calcular as perdas com tráfego lixo pelas suas próprias estatísticas: do que elas são feitas, de onde tirar os dados, um exemplo com números fictícios e como acompanhar essa fatia com regularidade, e não uma vez a cada seis meses.

Por que as perdas são maiores do que parecem

A primeira ideia é contar os cliques pagos feitos por bots e multiplicar pelo CPC. É um bom ponto de partida, mas não é o valor todo. O tráfego lixo bate na verba de três formas:

  1. Perdas diretas — você pagou por um clique que nunca poderia virar compra.
  2. Conversões perdidas — com o mesmo dinheiro dava para comprar cliques reais, e parte deles teria gerado receita.
  3. Otimização distorcida — sinais falsos estragam as estatísticas e o aprendizado do algoritmo de anúncios, e o próximo dinheiro é gasto pior do que poderia.

A primeira camada é a mais fácil de calcular; a terceira, a mais difícil. Mas muitas vezes é justamente a terceira que sai mais cara.

Passo 1. Descubra a porcentagem de cliques inválidos

Tudo começa com um número: que parte dos cliques pagos veio de bots, fazendas de cliques, proxies e outro tráfego inválido. Esse número não tem uma fonte única; é melhor montá-lo a partir de várias.

Relatório da plataforma de anúncios

As grandes plataformas filtram sozinhas parte dos cliques inválidos e não cobram por eles, e por outra parte fazem reembolso depois. Esse relatório é útil, mas mostra só o que a própria plataforma reconheceu. O que ela deixou passar não aparece. Como ler esses relatórios em search ads está no artigo sobre cliques inválidos no Google Ads.

Log do seu filtro de tráfego

Se há um filtro antes da landing page, ele tem um log: quantas visitas foram filtradas e por quê — data center, VPN, navegador automatizado, repetições do mesmo IP. É a fonte mais detalhada, porque enxerga cada visita.

Diferença entre cliques e visitas

Compare o número de cliques no painel de anúncios com o número de visitas na landing page no mesmo período e nas mesmas campanhas. Parte da diferença é perda normal: a pessoa fechou a aba, a conexão caiu, a página demorou para carregar. Mas se num placement a diferença é várias vezes maior que nos outros, provavelmente há muitos cliques que nem chegaram ao site.

Conversões sem dinheiro

Calcule à parte a fatia de conversões que depois foram recusadas pela rede de afiliados ou não chegaram ao pagamento. Muitos cadastros e zero vendas numa mesma fonte é uma marca típica de fazendas de cliques e de tráfego incentivado.

O resultado deste passo é a porcentagem de cliques inválidos por fonte, e não um único número para a conta inteira. A média da conta esconde o problema: dez fontes boas e uma ruim dão uma média razoável.

Que porcentagem é considerada normal

Não existe um padrão universal. Em search ads com click ID verificado a fatia de lixo costuma ser pequena; em redes de native, push e pop pode ser várias vezes maior, e dentro de uma mesma rede varia muito de zona para zona. Então compare cada fonte não com um número de um artigo qualquer, e sim com as suas outras fontes no mesmo GEO e com a mesma fonte na semana anterior. Um salto brusco importa mais que o valor absoluto.

Passo 2. Calcule as perdas diretas

A fórmula é simples:

Perdas diretas = cliques pagos × % de inválidos × CPC médio

Se você paga por impressões e não por cliques, a lógica é a mesma: % de impressões inválidas × número de impressões × CPM / 1000. Se paga por instalação ou lead: % de instalações ou leads falsos × o preço deles.

Desse valor vale descontar o que a plataforma já devolveu. Senão você vai contar como perdido um dinheiro que já voltou.

Passo 3. Calcule as conversões perdidas

O dinheiro que foi para bots poderia ter comprado tráfego real. Para estimar quanto ele teria rendido, você precisa da CR sobre os cliques válidos, e não sobre todos.

Conversões perdidas = cliques inválidos × CR sobre cliques válidos

Receita perdida = conversões perdidas × receita média por conversão

Um detalhe importante: a CR sobre todos os cliques é puxada para baixo pelos próprios bots. Se calcular as perdas com ela, você vai subestimar o prejuízo. Primeiro tire os cliques inválidos do denominador, depois calcule.

Essa estimativa é aproximada: ninguém garante que a verba extra compraria tráfego da mesma qualidade. Mas como ordem de grandeza ela é honesta, e para decidir se desativa ou não uma fonte isso basta.

Passo 4. Estime o custo da otimização distorcida

Aqui não existe fórmula exata, mas existe um jeito de ver a escala.

Os algoritmos de anúncios aprendem com os eventos que você envia. Se vão para o painel cadastros e uma parte relevante deles é feita por fazendas e bots, o algoritmo aprende a encontrar justamente esses "compradores". Como configurar direito o envio de eventos está no artigo sobre envio de conversões para as plataformas de anúncios.

Para estimar o prejuízo, compare em cada fonte ou campanha dois custos por ação:

  • CPA com todas as conversões que o painel vê;
  • CPA com as conversões aprovadas — as que trouxeram dinheiro.

Se uma fonte tem o melhor CPA da conta com todas as conversões e o pior com as aprovadas, a verba foi parar lá por causa de sinais falsos. O que você investiu nessa fonte acima do que investiria com estatísticas limpas é o custo da otimização distorcida.

Exemplo de cálculo com números fictícios

Vamos pegar uma campanha simplificada de um mês. Todos os números são fictícios e servem só para ilustrar o método.

Indicador Valor
Gasto US$ 10.000
CPC médio US$ 0,50
Cliques pagos 20.000
% de cliques inválidos 15%
Cliques inválidos 3.000
Cliques válidos 17.000
Conversões aprovadas 255
CR sobre cliques válidos 1,5%
Receita por conversão US$ 50
Receita US$ 12.750

Como a campanha parece sem descontar os bots. Lucro: US$ 12.750 − US$ 10.000 = US$ 2.750; ROI: 27,5%. CR sobre todos os cliques: 255 / 20.000 = 1,28%. A campanha está no positivo e parece que está tudo bem.

Perdas diretas. 3.000 × US$ 0,50 = US$ 1.500. A plataforma devolveu US$ 200 pelos cliques inválidos que reconheceu, então as perdas diretas ficam em US$ 1.300.

Conversões perdidas. Com US$ 1.500 dava para comprar 3.000 cliques reais. Com CR de 1,5%, são 45 conversões; a US$ 50 cada, US$ 2.250 de receita que não veio. Se todo o tráfego fosse real, a receita seria US$ 15.000, o lucro US$ 5.000 e o ROI 50%.

Otimização distorcida. Suponha que o painel viu 300 conversões, e não 255: 45 cadastros foram feitos por fazendas e a rede de afiliados recusou. Quase todos vieram de um placement que, pelo painel, parecia o melhor — e o algoritmo jogou mais US$ 1.000 de verba nele. Com as conversões aprovadas, o CPA ali é o dobro da média. Se esses US$ 1.000 renderam metade do que uma fonte média renderia, o prejuízo fica em torno de US$ 500.

Total do mês. US$ 1.300 de perdas diretas, US$ 2.250 de receita que não veio e cerca de US$ 500 de otimização distorcida. A fatia de cliques inválidos é de 15%, mas entre o ROI real e o possível a diferença é quase o dobro. Por isso vale calcular as três camadas, e não só a primeira.

Armadilhas do cálculo

  • Nem todo clique perdido é bot. A diferença entre painel e site é em parte natural. Conte como inválidas só as visitas com um motivo concreto: rede de data center, rastros de automação, repetições, conversão recusada.
  • Não confunda filtrar com recuperar dinheiro. Se o filtro descartou uma visita, o clique você pagou mesmo assim. O filtro protege a landing, as estatísticas e a otimização, mas o dinheiro só a plataforma pode devolver.
  • Não conte reembolso duas vezes. O reembolso da plataforma reduz as perdas diretas, mas não devolve as conversões perdidas.
  • Olhe as fontes, não a conta. A média de cliques inválidos da conta quase sempre parece tolerável.
  • Não confunda fraude com oferta ruim. Se o tráfego é real e não há conversões, o problema está na oferta, na landing ou no público. As métricas para separar uma coisa da outra estão no artigo sobre métricas de tráfego pago.

Como acompanhar a fatia de tráfego lixo com regularidade

Um cálculo pontual ajuda, mas a fraude muda: as redes adicionam zonas novas, as fontes pioram, surgem esquemas novos. Por isso a fatia de tráfego lixo deve virar uma métrica de rotina.

  1. Marque cada clique. Sem parâmetros de fonte, placement e campanha, nenhuma porcentagem pode ser ligada ao lugar exato onde o dinheiro se perde. Como funcionam os parâmetros de clique está no artigo sobre click ID e SubID.
  2. Mantenha duas colunas de conversões. Todas e aprovadas. A diferença entre elas por fonte é um sinal precoce de fraude.
  3. Veja a porcentagem de tráfego inválido por fonte toda semana. No lançamento de um placement novo, todo dia, até juntar estatística.
  4. Defina um limite de reação. Por exemplo: se a porcentagem de cliques inválidos de um placement dobrou em relação à semana anterior ou o CPA com conversões aprovadas está 1,5 vez acima da média, o placement é revisado e, se for o caso, desativado.
  5. Uma vez por mês, converta as perdas em dinheiro. Os mesmos quatro passos de cima. Um valor em dólares convence mais que uma porcentagem — você mesmo e o gerente da rede, quando você pede reembolso.
  6. Recalcule o ROI com a correção. O ROI real da campanha é o ROI sobre conversões aprovadas. Como calcular está no artigo como calcular o ROI.

Como o ArtisanClo ajuda

O ArtisanClo filtra bots, tráfego de data center, VPN e proxies, e cada clique no log mostra o código do motivo da decisão. Assim a porcentagem de tráfego inválido não precisa ser estimada no olho: ela aparece por fonte, por campanha e por motivo.

O tracker integrado calcula gasto, conversões, lucro e ROI por campanha e recebe conversões com status diferentes. Num único relatório você vê quanto dinheiro foi para tráfego que nunca poderia converter e quais fontes trazem receita aprovada e quais trazem só cadastros.

Conclusão

As perdas com bots têm três camadas: o dinheiro pago direto por cliques inválidos, as conversões que você deixou de ter com essa verba e uma otimização estragada que sozinha empurra dinheiro para o tráfego lixo. Comece pela porcentagem de cliques inválidos de cada fonte, converta em dinheiro com fórmulas simples e compare sempre o CPA com todas as conversões e com as aprovadas. Meça essa fatia com regularidade, defina um limite a partir do qual a fonte é revisada e recalcule as perdas em dólares uma vez por mês. Assim, "deve ter uns dez por cento de bots" vira um valor concreto e decisões concretas.

Perguntas frequentes

01

Como estimar rápido quanto dinheiro vai para bots?

Pegue a porcentagem de cliques inválidos do período e multiplique pelo número de cliques pagos e pelo CPC médio. Essas são as perdas diretas. Depois some as conversões que você deixou de ter com esse dinheiro e a diferença entre otimizar com conversões reais e com conversões falsas.

02

De onde tirar a porcentagem de cliques inválidos?

De três fontes: o relatório de cliques inválidos e reembolsos da plataforma, o log do seu próprio filtro de tráfego e a comparação entre os cliques do painel e as visitas na landing page. O melhor é combinar as três, porque cada uma vê só uma parte do quadro.

03

A diferença entre cliques no painel e visitas no site é bot?

Nem toda. Tem gente que fecha a aba enquanto a página carrega, e parte das visitas se perde por bloqueadores e internet lenta. Uma diferença pequena sempre existe. Suspeito é quando ela fica muito diferente numa fonte em relação às outras.

04

Por que conversões falsas são piores que cliques vazios?

O clique vazio custa dinheiro uma vez. A conversão falsa enviada para o painel de anúncios ensina o algoritmo a buscar visitantes parecidos, e a próxima verba ele mesmo vai mandar para o tráfego lixo.

05

Com que frequência recalcular as perdas com bots?

A porcentagem de tráfego inválido por fonte vale olhar todo dia no lançamento e uma vez por semana em campanhas estáveis. O cálculo completo das perdas em dinheiro pode ser feito uma vez por mês e depois de cada mudança relevante nas fontes.

Leia também

Veja o seu tráfego na prática

Conecte o ArtisanClo ao seu site, veja quem realmente chega pelos anúncios e por que cada clique recebeu a sua decisão.