Proteção contra fraude de cliques: como funcionam os serviços e o que o Google faz sozinho

A proteção contra fraude de cliques não cancela a cobrança do clique, mas decide o que vem depois: se a fraude entra no site, se os endereços e placements dela são excluídos, se você recebe o dinheiro de volta. Veja como isso funciona na prática.

Bots e fraude10 min de leitura
Proteção contra fraude de cliques: como funcionam os serviços e o que o Google faz sozinho
Conteúdo
  1. Como funciona a proteção contra fraude de cliques: três níveis
  2. O que as plataformas já fazem sozinhas
  3. O que realmente ajuda e o que não ajuda
  4. Como avaliar o efeito da proteção contra fraude de cliques
  5. Como escolher um serviço de proteção contra fraude de cliques
  6. Como a ArtisanClo ajuda a proteger a campanha contra fraude de cliques
  7. Resumo

A palavra «proteção» na expressão proteção contra fraude de cliques engana um pouco. O clique acontece do lado da plataforma de anúncios, e ela cobra por ele antes de o visitante chegar ao seu site. Por isso nenhum serviço consegue «proibir» um clique falso. Em compensação, ele pode fazer com que a fraude não chegue à oferta, que os endereços e placements dela sejam excluídos das exibições e que você tenha dados para recuperar o dinheiro.

Proteção contra fraude de cliques é a combinação de três ações: reconhecer os cliques suspeitos pela rede, pelo navegador e pelo comportamento; não deixá-los chegar à página principal nem entrar nas métricas; tirar a origem deles dos anúncios e exigir compensação. O que é a fraude de cliques e como ela aparece nas estatísticas está no artigo fraude de cliques (click fraud). Aqui o assunto é como a proteção em si funciona.

Como funciona a proteção contra fraude de cliques: três níveis

Qualquer serviço ou esquema manual de proteção é feito das mesmas peças. A diferença está em quais delas estão cobertas e com que qualidade.

Nível O que faz O que entrega O que não entrega
Análise de cliques coleta dados das visitas vindas de anúncios e procura anomalias noção da escala e das origens da fraude sozinho não bloqueia nada
Exclusões na conta de anúncios envia à plataforma endereços e placements que não devem ver o anúncio menos cliques pagos futuros da mesma origem não funciona contra endereços que mudam
Filtro no site decide a cada visita se mostra a página principal oferta e métricas limpas, orçamento da oferta não vai para bots não devolve o dinheiro do clique já feito

A seguir, cada nível em detalhe.

Análise de cliques

O serviço instala um contador no site ou verifica a visita no servidor e registra de cada acesso: endereço e rede, provedor, dispositivo, navegador, horário, identificador do clique do anúncio (gclid, msclkid e outros) e comportamento na página. São considerados suspeitos, por exemplo:

  • séries de cliques de um mesmo endereço ou sub-rede em pouco tempo;
  • acessos de redes de datacenter e proxies;
  • navegadores com sinais de automação ou sem JavaScript;
  • saídas instantâneas sem rolagem nem movimento;
  • acessos com um identificador de clique que se repete entre visitantes diferentes.

O principal da análise não é o veredito «há fraude», e sim a resposta à pergunta «de onde ela vem». Sem isso, os outros níveis trabalham às cegas.

Exclusões na conta de anúncios

Os endereços e placements encontrados podem ser retirados das exibições. A maioria dos serviços de proteção faz isso automaticamente pela API da plataforma ou exporta uma lista pronta. O método tem limites: as plataformas restringem quantos endereços podem ser excluídos, e botnets e proxies móveis trocam de endereço mais rápido do que você os cadastra. Contra um concorrente com IP fixo, a exclusão funciona muito bem; contra fraude distribuída, mal. Quando o bloqueio por endereço se justifica está explicado no artigo lista negra de IP no tráfego pago.

Filtro no site

O nível mais confiável: a verificação antes de exibir a página principal. O bot que passou pelo leilão e pelo clique continua sem ver a oferta, sem deixar lead falso e sem estragar a conversão no relatório. O filtro no site é especialmente importante quando a fraude mira os leads, e não o gasto; disso trata o artigo bots enviando leads falsos no site.

O que as plataformas já fazem sozinhas

Antes de contratar um serviço, vale entender o que o sistema de anúncios já faz: essa proteção é gratuita e atua antes da cobrança.

Proteção contra cliques inválidos no Google Ads

  • Filtro automático de cliques inválidos. O Google descarta parte dos cliques suspeitos em tempo real e não cobra por eles. Os detectados mais tarde são compensados com crédito na conta.
  • Relatório de cliques inválidos. Nas estatísticas da campanha, dá para ativar colunas com o número e a taxa de cliques inválidos: é o que a plataforma já reconheceu e não cobrou.
  • Exclusão de endereços IP nas configurações da campanha, com limite de quantidade.
  • Exclusão de placements na Rede de Display e no YouTube: apps e sites de onde vem lixo.
  • Pedido de análise. Se você vê fraude que a plataforma não considerou, pode procurar o suporte com os dados.

Mais sobre os identificadores e parâmetros do Google no artigo rastreamento do Google Ads: gclid, ValueTrack e conversões offline.

Proteção contra cliques inválidos na Microsoft Ads

Para quem anuncia também no Bing: a plataforma filtra sozinha parte dos cliques inválidos, que não são cobrados, mostra o número deles nos relatórios, permite excluir endereços IP (também com limite) e bloquear sites da rede de parceiros (Microsoft Audience Network) de onde vem lixo.

Dica. A proteção embutida da plataforma é aquilo que ela mesma reconheceu. Ela não conhece as suas regras e não mostra quem exatamente descartou. Por isso, um log de visitas próprio é necessário até para quem confia na plataforma.

A proteção embutida e as ferramentas externas não competem. A plataforma corta o que enxerga do lado dela antes da cobrança, e o filtro no site e o log de visitas mostram o que chegou até você. Juntos, dão o quadro completo: quanto a plataforma reconheceu sozinha, quanto passou pelo filtro dela e pelo que ainda dá para pedir compensação.

O que realmente ajuda e o que não ajuda

Medida Ajuda Limitações
Filtro no site com verificação do navegador contra bots, autoclickers, tráfego de servidores o clique já foi pago
Limite de cliques por visitante contra concorrentes e cliques manuais limite rígido demais corta pessoas reais
Janela de unicidade tira repetições das métricas e leads duplicados não impede o primeiro clique
Exclusão de IP na conta contra endereços fixos lista limitada, inútil contra botnets
Exclusão de placements na Rede de Display contra cliques inflados em sites parceiros exige revisão periódica
Restringir segmentação e horários reduz o espaço para fraude também reduz o alcance útil
Envio de conversões para a conta o algoritmo aprende com pessoas, não com bots exige rastreamento funcionando

O último item costuma ser subestimado. As estratégias de lances automáticos otimizam por eventos. Se só leads reais vão para a conta, o algoritmo deixa de procurar públicos parecidos com bots. Como configurar isso está no artigo API de Conversões: envio de conversões às plataformas.

O que quase não ajuda:

  • Captcha na landing para todo mundo. Afasta mais pessoas do que bots.
  • Bloquear sub-redes móveis inteiras. Junto com um clicador, você corta milhares de assinantes.
  • Limpeza única. A fraude troca de endereços e placements, então as exclusões precisam ser revistas regularmente.

Como avaliar o efeito da proteção contra fraude de cliques

A proteção tem de se pagar em números, não em sensações. Compare dois períodos iguais, antes e depois, por estes indicadores:

  1. Parcela de visitas suspeitas no log e a distribuição por motivo: rede, navegador, comportamento.
  2. Taxa de cliques inválidos na conta da plataforma. Se subiu depois dos seus pedidos, a plataforma passou a reconhecer a fraude.
  3. Custo por lead (CPA) com volume de leads estável.
  4. Número absoluto de leads. Se caiu junto com a fraude, a proteção está cortando pessoas reais.
  5. Valor das compensações recebidas da plataforma no período.

Exemplo ilustrativo: você gasta US$ 2000 por mês em pesquisa, e o log mostra que 15% dos acessos são cliques repetidos das mesmas sub-redes e de redes de datacenter. São cerca de US$ 300 de tráfego que não tinha como converter. Depois do limite de cliques, das exclusões e do contato com o suporte, a parcela caiu para 5% e os leads ficaram no mesmo nível: a proteção se pagou. Se a parcela caiu e os leads caíram junto, as regras estão rígidas demais. As métricas para essa avaliação estão no artigo qualidade do tráfego: como avaliar e verificar.

Como escolher um serviço de proteção contra fraude de cliques

Há muitos serviços, e todos prometem mais ou menos a mesma coisa. Dá para separar o útil com algumas perguntas.

  1. Ele mostra o motivo de cada clique? Um veredito «fraude: 23%» sem detalhamento não pode ser verificado nem usado num pedido à plataforma.
  2. O que ele faz com a visita suspeita? Só conta, exclui endereços na conta ou também impede a visita de chegar à página principal.
  3. Dá para ativar observação sem barrar? Um bom serviço permite primeiro ver quem ele barraria e só depois ligar as regras.
  4. Como ele se conecta ao site? Código na página ou arquivo no servidor, e as páginas continuam com você.
  5. Há exportação de dados? Um log com endereços, horários e identificadores de clique é necessário para as exclusões e para o suporte da plataforma.
  6. Ele considera as particularidades da plataforma? O tráfego de pesquisa, de redes sociais e de redes de anúncios nativos tem perfis «normais» de visitante diferentes.
  7. Ele avisa sobre falsos positivos? Um serviço que nunca diz que corta pessoas reais simplesmente não mede isso.

O checklist detalhado está no artigo como escolher um serviço de filtragem de tráfego.

Como a ArtisanClo ajuda a proteger a campanha contra fraude de cliques

A ArtisanClo cobre o nível do filtro no site e o nível de análise. A conexão é feita com uma tag JS no <head> da landing ou com um arquivo PHP no seu servidor, e o site continua com você.

  • Verificação de cada visita pela rede, pelo navegador e pelo comportamento: datacenters, VPN e proxies, navegadores headless, ausência de JavaScript, interação artificial. Visitas suspeitas não veem a oferta.
  • Limite diário de cliques por IP (a partir do plano Professional): depois do número definido de acessos, os seguintes veem uma página neutra. Os seus endereços podem entrar numa lista branca.
  • Visitante único com janela de uma hora a 30 dias. Nos modos com tracker, o lead repetido do mesmo visitante vai para «Lixo» com a marca de duplicado.
  • Lista negra de IP: endereços e sub-redes são bloqueados direto do log de cliques, um a um ou em lote.
  • Lista comum de bots: um endereço em que um bot foi pego com segurança em qualquer cliente é barrado na hora também nos seus fluxos.
  • Log de cliques com endereço, rede, provedor, identificador de clique, campanha e motivo da decisão; exportação em XLSX, material para exclusões na conta e para o suporte da plataforma.
  • Modo «Tracker»: com a conexão por arquivo PHP, deixa todos passarem, mas marca os bots; o relatório mostra quanto do tráfego pago estava vazio, sem risco de perder leads.
  • Envio de conversões para Google Ads, Meta e TikTok (a partir do Professional), para que os lances otimizem com pessoas reais.

As particularidades das plataformas estão no catálogo: Google Ads e as demais fontes de tráfego.

Resumo

A proteção contra fraude de cliques não consegue cancelar a cobrança do clique; isso só a própria plataforma faz. Mas ela pode reconhecer a fraude, impedi-la de chegar à oferta e às métricas, tirar a origem dela das exibições e fornecer dados para o reembolso. Os filtros embutidos do Google Ads e da Microsoft Ads são a primeira camada, gratuita; as exclusões de IP e placements são a segunda; o filtro no site e o log de visitas são a terceira, a mais controlável. Avalie o efeito pelo custo por lead e pelo número absoluto de leads, não pela parcela barrada.

Perguntas frequentes

01

Como funciona a proteção contra fraude de cliques?

O serviço coloca um código no site ou verifica a visita no servidor, coleta dados de cada acesso vindo do anúncio e separa os cliques suspeitos pela rede, pelo navegador e pelo comportamento. Depois, ou não deixa essa visita chegar à página principal, ou envia endereços e placements para exclusão na conta de anúncios, ou fornece dados para pedir reembolso.

02

O Google Ads tem proteção contra cliques inválidos?

Sim. O Google descarta automaticamente parte dos cliques inválidos e não cobra por eles; se os detecta depois, devolve o valor como crédito na conta. Manualmente, dá para excluir endereços IP nas configurações da campanha e placements na Rede de Display. A plataforma não revela em detalhes quais cliques foram considerados inválidos.

03

Como bloquear um concorrente que clica nos meus anúncios?

Se o concorrente clica de um endereço fixo, dá para excluí-lo na conta e fechar a oferta para ele no site. Se ele troca de endereço via internet móvel ou proxy, ajudam o limite de cliques por visitante, a janela de unicidade e as verificações de rede. Proibir totalmente uma pessoa de clicar no anúncio é impossível.

04

Vale a pena pagar por proteção contra fraude de cliques com orçamento pequeno?

Calcule quanto dinheiro vai para cliques suspeitos. Se a fraude é visível e recorrente, até uma pequena parte do orçamento recuperada paga a proteção. Se os cliques são caros e poucos, comece pelas ferramentas gratuitas da plataforma e pelo log de visitas, e contrate um serviço quando o problema aparecer nos números.

05

E na Microsoft Ads (Bing), como funciona a proteção?

A Microsoft filtra sozinha os cliques inválidos e não cobra por eles; os detectados depois voltam como crédito. O anunciante pode excluir endereços IP nas configurações da campanha e bloquear sites da rede de parceiros (Microsoft Audience Network). O comportamento dos bots no site aparece no log de visitas e no seu próprio filtro na landing.

Leia também

Veja o seu tráfego na prática

Conecte o ArtisanClo ao seu site, veja quem realmente chega pelos anúncios e por que cada clique recebeu a sua decisão.