O redirecionamento por geo (geo redirect) envia o visitante a páginas diferentes conforme a origem dele: o país é identificado pelo IP, o idioma pelas configurações do navegador e o dispositivo pela string de user agent. Um só link no anúncio e, por trás dele, o alemão cai na oferta em alemão, o brasileiro na oferta em português e o dono de iPhone na página feita para iOS.
Parece uma linha de código, mas essa linha tem muitas armadilhas: geolocalização imprecisa, VPN, cache, robôs de busca que veem só uma versão do site. A seguir: para que serve o redirect por país e dispositivo, como ele funciona por dentro e como montá-lo para tráfego de anúncios sem perdas.
Para que serve o redirecionamento por geo
As tarefas para as quais ele é configurado se resumem a uma ideia: pessoas diferentes precisam de coisas diferentes.
- Ofertas diferentes por país. A rede de afiliados paga valores diferentes pelo mesmo produto em cada geo e, às vezes, em cada país são ofertas totalmente diferentes, com landings diferentes. Uma campanha para vários países sem redirect por país exige um link separado e, muitas vezes, uma campanha separada para cada geo. Sobre a divisão de países por rentabilidade, veja o artigo sobre GEO e países Tier-1, Tier-2, Tier-3.
- Versões de idioma. Um visitante da Suíça pode falar alemão, francês ou italiano. Aqui o país pelo IP ajuda pouco, e o idioma do navegador ajuda muito.
- Versão mobile e desktop. Assinatura mobile, app na loja, formulário com telefone ou um review longo para computador — a página feita para o dispositivo converte melhor que a universal.
- Sistema operacional. O app para Android leva ao Google Play, o de iOS à App Store, e o desktop a uma página com QR code.
- Restrições legais. Se o produto não pode ser vendido em determinado país, é mais honesto mandar esses visitantes para uma página informativa do que para o formulário de pedido.
Como funciona o redirect por país
A mecânica é igual em todos os sistemas e tem três passos.
1. Identificar o país pelo IP
O servidor pega o IP do visitante e o procura numa base de geolocalização — uma tabela que associa faixas de endereços a país, região, cidade, provedor e rede (ASN). As bases são montadas com dados de registros de endereços, provedores e medições, por isso a precisão varia: no nível de país, para redes residenciais e móveis, é alta; no nível de cidade, bem menor.
Se o site está atrás de uma CDN ou do proxy da hospedagem, é importante pegar o endereço real do visitante num cabeçalho confiável, e não o endereço do servidor intermediário. Senão todos os visitantes vão parecer «do país do datacenter».
2. Comparar com as regras
Depois, os sinais identificados são comparados com as regras: «país é DE ou AT», «dispositivo é smartphone», «idioma é pt». As regras são verificadas numa ordem definida, e vale a primeira que bater. É obrigatório ter uma rota padrão para quem não se encaixa em nenhuma regra — senão parte do tráfego pago se perde.
3. Redirecionar
Há três formas de enviar o visitante ao endereço:
| Forma | Como funciona | Prós e contras |
|---|---|---|
| Redirect no servidor 302/307 | O servidor responde com um código e o novo endereço | Rápido, funciona sem JavaScript; o endereço na barra muda |
| Redirect por JavaScript | A página carrega e o script troca o endereço | Aparece um «flash» de tela, perde tempo, não funciona sem JS |
| Carregamento no lugar | O próprio servidor entrega a página certa no mesmo endereço | O endereço não muda, sem transição extra; exige suporte do serviço |
No redirecionamento por geo usam-se códigos temporários — 302 ou 307. O 301 permanente é memorizado pelo navegador e pelos caches intermediários, e quem recebeu uma vez a versão «alemã» continuará recebendo-a mesmo depois de desligar a VPN.
Redirecionamento por dispositivo: versão mobile e desktop
O tipo de dispositivo é identificado pela string de user agent e, nos navegadores Chromium, pelos cabeçalhos Client Hints. Para roteamento, isso basta: pessoas comuns não falsificam a string, e um erro de identificação custa pouco. O que vem nessa string e por que ela não basta para proteção contra bots está no artigo sobre filtro por user agent.
Alguns pontos práticos:
- Tablets. Decida de antemão para onde mandá-los: versão mobile ou desktop. Por padrão, sistemas diferentes os classificam de formas diferentes.
- Navegadores embutidos em apps. O visitante vindo de uma rede social abre o link no navegador embutido. É um smartphone e deve ir para a página mobile, mesmo que a string UA pareça incomum.
- Combinação com o SO. «Smartphone + iOS» e «Smartphone + Android» são dois ramos diferentes se a oferta leva a uma loja de apps.
Armadilhas do redirecionamento por geo
VPN e proxy
Quem usa VPN recebe o país do servidor de saída. Se a pessoa está na Polônia e a VPN sai pela Holanda, o redirect por país a manda para a oferta holandesa, que não serve para ela e pela qual o programa pode não pagar. Em campanhas de anúncios esse tráfego já costuma ser indesejado; como VPN, proxy e endereços de hospedagem são detectados está no artigo sobre VPN, proxy e IPs de datacenter.
Precisão do geo
Operadoras móveis às vezes roteiam o tráfego pelo país vizinho, redes corporativas pela matriz, internet via satélite pelo país da operadora. A cidade pelo IP erra ainda mais, então o redirect por cidade só vale onde o erro não é crítico.
Dica. Para versões de idioma, apoie-se no idioma do navegador e use o país pelo IP como pista. O idioma foi a pessoa que escolheu; o IP depende da rede pela qual ela saiu hoje.
Cache
Se a página com redirecionamento por geo fica em cache na CDN sem considerar o país, o primeiro visitante define a resposta para todos os outros. Respostas que dependem do visitante ou não vão para o cache, ou vão com chave por país e dispositivo.
SEO e hreflang em sites comuns
É a principal armadilha para sites que trabalham a busca orgânica. Os robôs de busca vêm de um conjunto limitado de endereços, quase sempre de um só país. Com redirect rígido por IP, o robô vê só uma versão do site, e as outras simplesmente não entram no índice.
Os buscadores recomendam outra abordagem:
- Cada versão de idioma ou região fica no seu próprio endereço e abre diretamente, sem redirecionamento forçado.
- As versões são ligadas pelos atributos hreflang, para que o buscador mostre a certa nos resultados.
- Ao visitante de «outro» país aparece um banner discreto do tipo «Parece que você está na Alemanha — ir para a versão alemã?», e a escolha fica salva.
Para uma landing de anúncios que não é trabalhada na busca, isso em geral não importa: as pessoas chegam pelo link do anúncio. Mas, se o mesmo site atende anúncios e orgânico, deixe o redirect forçado por país só para o link do anúncio.
Correspondência com o anúncio
As plataformas exigem que a página corresponda ao anúncio para os usuários da região à qual ele é direcionado. Redirecionar por geo para ofertas diferentes em cada país é prática normal, desde que cada versão corresponda honestamente ao que o anúncio promete naquele país. As regras das plataformas sobre isso estão no artigo sobre políticas de anúncios da Meta.
Redirecionamento por geo, filtro por país e TDS: qual a diferença
Os três conceitos se confundem muito.
- O filtro por país decide se o visitante entra ou não. O geo que não serve recebe uma página de bloqueio. Detalhes no artigo sobre filtro por GEO e dispositivo.
- O redirecionamento por geo deixa entrar todos que passaram pelo filtro, mas mostra coisas diferentes a pessoas diferentes.
- O TDS é um sistema completo de distribuição de tráfego: nele geo e dispositivo são só duas condições entre muitas, ao lado de pesos, prioridades, marcadores e parâmetros do link. A lógica geral está no artigo sobre o que é TDS.
No esquema de trabalho, um vem depois do outro: o filtro barra bots e países desnecessários, e o tráfego restante se divide entre as ofertas.
Como fazer o redirect por país e dispositivo na ArtisanClo
Na ArtisanClo, o redirecionamento por geo é montado com ramos do fluxo. Os ramos estão disponíveis a partir do plano Professional, nos modos com tracker, quando o fluxo tem duas ou mais ofertas.
Como funciona um ramo. O botão «Adicionar ramo» cria um ramo com a condição «País é um de». A condição se lê como «Se [campo] [operador] [valores]», e um ramo pode ter várias condições — aí todas precisam ser atendidas ao mesmo tempo.
Campos das condições: país, dispositivo, SO, navegador, provedor, ASN, cidade, região, idioma, referer, parâmetro do link e marcador (sub). Operadores: «é um de», «não é nenhum de», «contém», «está definido», «não está definido». Os valores são separados por vírgula.
Ordem. Os ramos são verificados de cima para baixo, e decide o primeiro que bater; a ordem muda com as setas «Subir» e «Descer». Visitantes que não se encaixam em nenhum ramo vão para as ofertas sem ramo — essa é a rota padrão. Se um ramo não tem ofertas, os visitantes dele também vão para as ofertas padrão.
Vinculação de ofertas. No cartão da oferta há o campo «Ramo». Dentro do ramo, as ofertas dividem o tráfego por pesos, e o botão «Pesos automáticos» divide igualmente dentro de cada conjunto — separadamente para as ofertas sem ramo e para as ofertas de cada ramo.
Forma de exibição. A oferta tem três modos: «Carregamento» — a página da oferta abre sob o seu endereço de anúncio; «Redirect» (302) — redirecionamento temporário para o endereço da oferta; «Iframe» — a página é embutida na sua. O código temporário não foi escolhido por acaso, pelos motivos descritos acima.
Fixação do visitante. Se a pessoa voltar, o campo «Fixação do visitante, h» a manda para o mesmo pré-landing e a mesma oferta, e não para um aleatório dentro do ramo.
Exemplo: campanha para Alemanha, Áustria e Brasil.
- Ramo «DACH»: «País é um de DE, AT» → oferta em alemão.
- Ramo «BR mobile»: «País é um de BR» e «Dispositivo é um de smartphone» → oferta mobile em português.
- Sem ramo: todo o resto → oferta principal.
O importante é que os ramos funcionam depois da filtragem: primeiro a visita passa pelas verificações de bots, VPN e regras de público, e só o visitante aprovado escolhe a oferta pelos ramos e pesos. Se você não precisa de um geo de jeito nenhum, é melhor fechá-lo em «Público» do que mandá-lo para uma oferta reserva.
Relatórios por ramo. Nas estatísticas há o recorte «Ramo» — dá para ver quantos cliques, conversões e quanto dinheiro cada um trouxe. Assim o redirecionamento por geo deixa de ser uma configuração «no olho» e vira um experimento verificável com números; a abordagem para esses testes está no artigo sobre split test. Todos os recursos de roteamento estão na página de recursos, e as condições dos planos, na página de planos.
Erros comuns
- Sem rota padrão. Visitantes de países não previstos se perdem ou veem erro.
- Redirect permanente 301. Os navegadores o memorizam, e o visitante fica preso para sempre numa versão.
- Idioma pelo IP. País não é idioma: Bélgica, Suíça, Canadá.
- Redirect por IP num site com orgânico. O buscador vê uma versão, e as outras saem do índice.
- Ramos demais com pouco tráfego. Cada ramo fragmenta as estatísticas, e não dá para tirar conclusão de nenhum.
Resumo
O redirecionamento por geo é uma ferramenta simples com bordas nada simples. Identifique o país pelo IP, o idioma pelo navegador e o dispositivo pelo user agent; use códigos de resposta temporários; deixe sempre uma rota padrão; em sites comuns com tráfego de busca, troque o redirect forçado por marcação hreflang e um banner. Em anúncios, o redirect por país e dispositivo funciona melhor junto com o filtro: primeiro barrar bots e geos desnecessários, depois distribuir os visitantes reais entre as ofertas certas e acompanhar o resultado de cada ramo nos relatórios.



