No anúncio segmentado comum, você compra público de uma plataforma. No tráfego nativo, compra de centenas de sites independentes que estão ligados à rede e vendem a ela espaço para widgets de recomendação. A rede pega o seu criativo e o exibe em portais de notícias, sites de entretenimento, blogs e apps. Por isso, o principal trabalho do afiliado com anúncios nativos não é tanto escolher o público, e sim escolher os sites: cortar os fracos e aumentar o orçamento nos fortes.
O que são anúncios nativos e redes de teaser
O anúncio nativo é um anúncio formatado como o conteúdo da página. Na maioria das vezes é um bloco «Recomendados» ou «Você também pode gostar» abaixo de um artigo: imagem, título, às vezes o nome da marca. O usuário clica como se fosse mais um artigo e cai na sua pré-landing ou landing.
As redes de teaser são um formato historicamente parente: blocos curtos, os «teasers», com imagem chamativa e título intrigante. Hoje a fronteira é difusa: as mesmas redes vendem nativo discreto e teasers agressivos, e a diferença está nas regras para o criativo e nos sites em que você vai aparecer.
Os grandes players diferem em público e rigor:
| Rede | Particularidade | Marcador de clique no link |
|---|---|---|
| Taboola | Grandes veículos, revisão rígida do criativo e da landing | tblci |
| Outbrain | Mídia premium, exigências de qualidade do conteúdo | ob_click_id |
| MGID | Grande alcance, muitos geos e formatos | não tem marcador próprio |
Mais sobre cada uma nas páginas Taboola, Outbrain e MGID do catálogo de fontes.
A compra é feita principalmente por CPC, por clique. Você define o lance e a rede exibe o anúncio em todos os sites onde o lance ganha. Daí a característica principal: o resultado médio da campanha é a soma de sites muito diferentes, e um site ruim com muito volume pode comer o lucro de dez bons.
Por que a qualidade dos sites no tráfego nativo é tão desigual
A rede quer volume: quanto mais sites ligados, mais impressões ela vende. O dono do site quer cliques: ele recebe uma parte do seu lance. Daí alguns problemas típicos.
- Cliques acidentais. O widget fica colado ao conteúdo, e no celular é fácil encostar nele ao rolar. Esse visitante sai da landing em um segundo.
- Acessos incentivados e comprados. Alguns sites compram tráfego mais barato do que vendem os cliques à rede, e nesse tráfego entra de tudo: popunders, redirecionamentos, cliques de outras redes.
- Acessos automáticos. Scripts, atualização automática de página, bots que «leem» o site e de quebra clicam nos widgets. Às vezes é fraude consciente do dono do site, às vezes tráfego parasita que nem ele conhece.
- Sites de um dia só. O site entra na rede, junta dinheiro em uma semana e some ou troca de identificador.
- Verificações. A rede e seus parceiros verificam as landings, e as ferramentas de spy coletam seus criativos e páginas. Essas visitas também chegam como cliques.
Tudo isso significa que o «tráfego nativo» não é uma grandeza só. O mesmo criativo dá lucro num site e zero conversões em mil cliques noutro. Como distinguir visitas reais de automação em geral está no artigo sobre sinais de tráfego de bots, e como verificar o tráfego por camadas no material como avaliar a qualidade do tráfego.
ID do site nas macros: sem ele não dá para otimizar o nativo
Toda rede nativa consegue inserir no seu link dados sobre a impressão por meio de macros — modelos entre chaves que a rede troca pelos valores reais na hora do clique. O valor mais importante é o identificador do site: o site, o widget ou a zona onde houve a exibição.
Os nomes das macros variam de rede para rede: em umas é {site}, em outras {widget_id}, {site_id}, {publisher} ou {zoneid}. A lista exata está na central de ajuda da rede. Além do site, vale passar:
- ID da campanha e ID do criativo — para ver qual anúncio funciona em qual site;
- preço do clique — para que o custo seja calculado por acesso;
- click id da rede — para enviar as conversões de volta à rede.
Exemplo de link para uma campanha nativa (nomes de macros ilustrativos; confira com a sua rede):
https://sua-landing.com/?sub1={site_id}&sub2={campaign_id}&sub3={creative_id}&cost={cpc}&ext_id={click_id}
Aqui sub1 leva o site, sub2 e sub3 a campanha e o criativo, cost o preço do clique, e ext_id o número de clique da rede para o postback. Os princípios gerais de parâmetros estão no artigo sobre parâmetros UTM e macros das plataformas, e a ligação entre números de clique no artigo click ID e sub ID.
Dica. Defina um esquema fixo: o site sempre no
sub1, o criativo sempre nosub3. Assim os relatórios de redes e campanhas diferentes são lidos do mesmo jeito, e você não se confunde sobre o que está em cada parâmetro.
Blacklists e whitelists de sites
A principal alavanca de otimização no nativo é a blacklist de sites: a lista de sites ou widgets em que a campanha deixa de aparecer. A blacklist é mantida no painel da própria rede, e só lá ela economiza dinheiro: enquanto o site está na campanha, você paga pelos cliques dele, aconteça o que acontecer depois do seu lado.
Como montar a blacklist sem se enganar:
- Junte estatística. Um site com vinte cliques e sem conversão ainda não provou nada. Decida sobre sites em que o número de cliques já é comparável ao seu custo de conversão dividido pelo lance.
- Olhe o dinheiro, não os cliques. Compare custo e receita de cada site. Um clique barato num site que não converte é mais caro que um clique caro que traz leads.
- Considere a parcela de bots. Se num site o filtro barra quase todo o tráfego como automático, é um sinal forte: não faz sentido pagar pelos cliques dele, mesmo que algumas visitas tenham passado.
- Considere as conversões tardias. No nativo o caminho até a compra pode ser longo. Não bloqueie o site no mesmo dia se a oferta tem período de espera ou se a conversão chega depois.
- Leve os bons sites para uma whitelist. Uma campanha separada com a lista de sites comprovados e lance mais alto é a forma clássica de escalar no nativo. Outras formas estão no artigo como escalar campanhas: vertical e horizontal.
O outro lado é a whitelist: uma campanha que roda só em sites escolhidos antes. Ela dá estabilidade, mas limita o volume, por isso normalmente se mantém em paralelo uma campanha «exploratória» em tráfego amplo, com blacklist rígida.
Bots no tráfego nativo: como filtrá-los
No nativo, a filtragem resolve duas tarefas. A primeira é não deixar a automação chegar à oferta, porque ela suja as estatísticas da rede de afiliados e levanta suspeita de fraude. A segunda é ter, para cada site, um retrato honesto: quantos dos cliques dele eram pessoas.
Sinais que funcionam no tráfego nativo:
- Redes de datacenter e visitas sem provedor. O leitor real de um portal de notícias entra pela internet de casa ou do celular. Um clique vindo de um endereço de hospedagem em nuvem é quase sempre um programa. Detalhes no artigo sobre VPN, proxy e IPs de datacenter.
- Ausência de JavaScript. Scrapers simples não executam scripts, e a verificação obrigatória de JS os barra.
- Sinais de navegador automatizado. Bots mais sofisticados rodam num navegador de verdade, sem janela, mas deixam rastros: sinais de controle por programa e uma impressão digital do navegador que não corresponde a um dispositivo real.
- Cliques repetidos do mesmo endereço. No nativo, o mesmo widget persegue o mesmo leitor em várias páginas, então alguns cliques por IP são normais, mas algumas dezenas já não.
- Primeiros cliques depois do lançamento. Uma campanha nova recebe primeiro as verificações da rede, dos parceiros dela e das ferramentas de spy.
A abordagem geral de filtragem está no artigo como filtrar bots no tráfego pago. No nativo, é importante não exagerar: um filtro rígido que corta toda visita do navegador embutido de um app vai remover também leitores reais que abriram a notícia no app do veículo.
Como isso funciona no ArtisanClo
O ArtisanClo tem um perfil de proteção pronto para anúncios nativos: «Native e push». Ele é aplicado pela fonte de tráfego escolhida na primeira etapa do fluxo: ao criar a fonte, escolha o modelo da rede — Taboola, Outbrain, MGID ou outra — e os parâmetros da plataforma vão para os parâmetros da campanha, enquanto a proteção da segunda etapa se ajusta ao nativo.
| Parâmetro | Valor para nativo | Por quê |
|---|---|---|
| Bloquear sem provedor | Ligado | Visitas sem provedor costumam vir de servidores |
| Aquecimento | 100 cliques | Os primeiros acessos de uma campanha nova são, na maioria, verificações |
| JavaScript obrigatório | Sim | Bots simples tropeçam no script |
| Cliques por IP por dia (nível «Equilibrado») | 5 | No nativo há muitas exibições repetidas para a mesma pessoa |
O aquecimento e o limite de cliques por IP estão disponíveis a partir do plano Professional e no período de teste. Por cima, escolhe-se o rigor: «Suave», «Equilibrado» ou «Rigoroso». Para a maioria das campanhas nativas, o ponto de partida é o «Equilibrado».
O que é especialmente útil no nativo:
- Relatório por site. Passe o ID do site ou do widget num parâmetro da campanha, por exemplo
sub1={site_id}, e abra em «Relatórios» a tabela «Dinheiro por recorte» por esse parâmetro. Para cada site aparecem cliques, conversões, receita, custo e ROI. Os sites em que o filtro barra quase tudo devem ser desligados na própria rede — assim você para de pagar por eles. - Preço do clique pelo link. O modelo «Do link» pega o preço que a rede insere por macro, e o custo é calculado por clique que chegou à oferta.
- Motivo em cada visita. No log de cliques você vê por que a visita foi para a White Page: «Rede de alto risco», «Cliques demais de um IP», «Um programa, não um navegador» e dezenas de outros motivos.
- Lista comum de bots. Um endereço identificado com segurança como bot ou revisor em qualquer cliente do serviço recebe a White Page imediatamente também no seu fluxo.
- Shield pelo marcador de clique. O shield só deixa chegar à oferta visitantes com marcador de clique de anúncio: na Taboola é
tblci, na Outbrainob_click_id. A MGID não tem marcador de clique próprio, então o shield não serve para ela. - Retorno para a rede. No cartão da fonte se configura o postback para a fonte: a rede recebe o próprio número de clique e o status da conversão e pode otimizar a entrega pelos seus resultados.
Nas recomendações por plataforma, para o nativo indica-se a conexão por arquivo PHP no seu servidor, com a oferta em modo «Redirecionamento» ou «Carregamento». A tag JS também funciona. O site e as páginas continuam com você.
Tracking de anúncios nativos: do clique ao ROI por site
O esquema mínimo, sem o qual não dá para otimizar o nativo:
- Link com macros — site, campanha, criativo, preço do clique e click id da rede.
- Envio do número do clique à rede de afiliados. O seu click id vai num parâmetro do link de afiliado, por exemplo
sub1ouaff_sub. - Postback da rede de afiliados. A rede informa o lead ou a venda por esse número — como configurar está no artigo sobre postback no marketing de afiliados.
- Postback para a rede nativa. A conversão volta para a rede, e o algoritmo dela passa a preferir os sites que convertem.
- Relatório por site. As decisões sobre blacklist e lances são tomadas pelo lucro de cada site, e não pelos números médios da campanha.
É melhor calcular o retorno num lugar só, onde se juntam o custo do link e a receita do postback. Fórmulas e erros típicos no artigo como calcular lucro e ROI.
Dica. Não mude lance, criativo e blacklist ao mesmo tempo. Se depois do ajuste o lucro subiu, você não vai saber o que funcionou. Mexa numa alavanca por vez.
Regras das redes: criativo e landing
As grandes redes nativas revisam tanto os anúncios quanto as páginas para onde eles levam. Cada uma tem seus requisitos, que mudam com frequência, então confira na central de ajuda da própria rede antes de lançar. O que todas têm em comum:
- o título não pode prometer o que não está na página;
- imagens sem conteúdo chocante e sem imitar notificações do sistema;
- a landing precisa corresponder ao anúncio em tema e conteúdo;
- para temas restritos — finanças, saúde, jogos de azar — são necessárias autorizações e avisos legais.
Antes de lançar numa rede nova, leia as regras dela por inteiro e, para temas restritos, prepare com antecedência as autorizações e os textos dos avisos.
Erros comuns em anúncios nativos
- Otimizar pela campanha inteira. O ROI médio esconde sites lucrativos e deficitários. As decisões são tomadas por site.
- Blacklist cedo demais. O site é bloqueado depois de vinte cliques, quando estatisticamente isso ainda não diz nada.
- Sem ID do site no link. Sem a macro do site, não dá para montar relatório por site, e depois não há como recuperá-lo.
- Filtro rígido demais. Uma taxa de passagem alta no nativo, por si só, não é problema. Preocupe-se se quase ninguém chega à oferta: as regras estão cortando gente real junto com os bots.
- Sem postback de volta para a rede. O algoritmo da rede otimiza por cliques, e não por conversões, e continua mandando tráfego para os sites fracos.
Resumo
O tráfego nativo é um mercado de centenas de sites, e não um único público. Passe o ID do site ou do widget num parâmetro, filtre a automação, junte custo e receita num relatório só e decida site por site: bloqueie na rede os deficitários e leve os lucrativos para uma whitelist própria. A mesma lógica vale para os formatos vizinhos — veja o artigo sobre tráfego push e pop.



