Iniciantes sempre perguntam: «Eu preciso de cloaker ou de tracker?». A pergunta é parecida com «preciso de fechadura na porta ou de caixa registradora». São ferramentas diferentes para tarefas diferentes, e confundi-las custa dinheiro: tem gente pagando por bots porque achava que o tracker protegia, e tem gente sem enxergar o lucro porque o cloaker não recebe postbacks.
Resumo: qual a diferença entre cloaker e tracker
- O cloaker (serviço de filtragem de tráfego, também chamado de serviço de cloaking) decide quem entra na oferta. Em cada visita ele verifica rede, dispositivo, navegador e comportamento, e manda o visitante para a oferta ou para uma página segura — a White Page. Mais detalhes no artigo o que é cloaking.
- O tracker conta o que o tráfego rendeu. Ele registra os cliques, liga-os às conversões por postback, registra o custo e mostra lucro e ROI por recorte. Mais detalhes no artigo tracker para arbitragem.
O cloaker responde «quem é?»; o tracker, «quanto custou e quanto rendeu?».
Comparação por tarefa
| Tarefa | Cloaker | Tracker |
|---|---|---|
| Barrar bots, revisores e ferramentas de spy | Tarefa principal | Em geral parcialmente, com regras simples |
| Explicar por que a visita foi barrada | Código de motivo em cada clique | Normalmente não |
| Ligar o clique ao lead e à venda | Não, se não houver modo tracker | Tarefa principal |
| Receber postback da rede de afiliados | Não, se não houver modo tracker | Sim |
| Calcular custo, lucro, ROI | Não | Sim |
| Distribuir tráfego entre ofertas | Às vezes | Sim: pesos, ramos, testes A/B |
| Enviar a conversão à plataforma de anúncios | Não | Sim, nos trackers mais completos |
A interseção é pequena. Por isso gestores de tráfego mantêm os dois sistemas por anos. Como escolher o segundo deles está no artigo como escolher um tracker para afiliados.
Onde cada um fica no caminho do clique
O caminho do visitante do anúncio até a oferta é este:
- A pessoa clica no anúncio. A plataforma acrescenta ao link seu número de clique (
fbclid,gclid,ttclid) e os seus parâmetros. - O filtro verifica a visita e decide: oferta ou White Page.
- O tracker registra o clique, atribui seu próprio número e manda para a oferta, colocando esse número no parâmetro da rede de afiliados.
- A pessoa deixa um lead. Mais tarde a rede envia um postback com o número do clique.
- O tracker encontra o clique e registra a conversão com status e payout.
As etapas 2 e 3 podem morar em sistemas diferentes ou no mesmo. Disso dependem o esquema de integração e os pontos onde ele pode se romper.
Três esquemas de integração entre cloaker e tracker
Esquema 1. Filtro antes do tracker
O anúncio leva à sua landing, onde está o filtro. Os visitantes liberados seguem pelo link do tracker até a oferta. O tracker vê só tráfego limpo.
Vantagem: o tracker não se enche de bots. Desvantagem: dois sistemas, dois números de clique e a necessidade de passar o número do filtro para o tracker para depois cruzar os dados.
Esquema 2. O tracker consulta o filtro
O anúncio leva ao tracker, e no fluxo dele há um filtro externo: o tracker envia os dados da visita e recebe a resposta «liberar» ou «não». A decisão de para onde levar continua com o tracker.
Vantagem: todo o roteamento fica no tracker de sempre. Desvantagem: o filtro só vê o que o tracker repassou — verificações que precisam do navegador do visitante não funcionam nesse esquema.
Esquema 3. Tudo num serviço só
Filtragem e contabilidade do dinheiro no mesmo painel: um número de clique, uma base, os mesmos relatórios. Cliques barrados não entram no custo, e os liberados já mostram suas conversões.
Vantagem: nada para não bater, problemas mais fáceis de investigar. Desvantagem: se você tem um tracker configurado há anos, a migração leva tempo.
Como não perder o número do clique entre os sistemas
A integração entre dois sistemas quebra quase sempre no mesmo ponto — na passagem do número do clique. A regra é simples: o número que volta no postback precisa ser o número do sistema que recebe esse postback.
Erros típicos:
- o filtro passa para a oferta o seu próprio número de clique, mas o postback está configurado para o tracker — e o tracker não conhece esse clique;
- o tracker coloca seu número em
sub1, e o filtro no caminho sobrescreve ou remove esse parâmetro; - o número da plataforma (
fbclid) vai para o parâmetro em que a rede espera o número do tracker — o postback chega, mas não se liga a nada.
Dica. Antes de começar, faça o caminho você mesmo: clique no link do anúncio, veja com quais parâmetros a oferta abriu e envie um postback de teste com esse número. Se a conversão se ligou, a integração funciona.
Como funcionam os números de clique e os SubIDs está no artigo Click ID e Sub ID, e o postback em si no artigo sobre postback S2S.
Por que os números do cloaker e do tracker não batem
Diferença é o estado normal de uma integração, desde que você entenda as causas:
- O cloaker vê todos. Nas estatísticas dele estão liberados e barrados. Compare com o tracker só os liberados.
- Parte das pessoas desiste no caminho. O visitante passou pelo filtro, mas fechou a página antes de chegar ao tracker. Quanto mais lenta a landing, maior a diferença.
- Regras de unicidade diferentes. Um sistema junta acessos repetidos, o outro conta cada um.
- Fusos horários diferentes. O relatório de «ontem» nos dois sistemas pode cobrir horas diferentes.
- Erros nos parâmetros. Parte dos cliques caiu no tracker em outra campanha por causa de um link errado.
Se a diferença entre cliques liberados e cliques do tracker de repente aumentou, procure uma landing lenta, um link quebrado ou parâmetros sendo sobrescritos.
Como conferir os números sem estresse
Combine regras simples e a conferência leva minutos:
- Um só fuso horário em todos os sistemas — ou pelo menos saber quantas horas de diferença há entre eles.
- Uma só base de comparação: cliques liberados do filtro contra cliques do tracker, e não todas as visitas contra todos os cliques.
- Uma só unidade de tempo: compare dias fechados, e não o dia atual, cujos dados ainda estão chegando.
- Diferença aceitável: registre qual percentual de diferença é normal na sua integração. Enquanto ela estiver dentro do limite, não há erro para procurar; quando cresce, é um sinal, não ruído.
As conversões se conferem à parte: tracker contra o painel da rede de afiliados, pela data do clique.
Exemplo: uma campanha vista por dois sistemas
Os números abaixo são uma ilustração, não uma norma. Digamos que num dia chegaram 1000 visitas pelo link do anúncio.
| O que se vê | Cloaker | Tracker |
|---|---|---|
| Total de visitas | 1000 | — |
| Barradas (bots, datacenters, revisores) | 150, cada uma com motivo | Não vê |
| Liberadas para a oferta | 850 | — |
| Chegaram ao tracker | — | 820 (os outros fecharam a página) |
| Leads | — | 41 |
| Aprovados | — | 18 |
| Custo e lucro | — | Calculados sobre os liberados |
O cloaker responde pela parte de cima da tabela: quantas visitas houve e por que 150 delas não viram a oferta. O tracker, pela de baixo: o que renderam os que chegaram. Nenhum dos dois consegue preencher as linhas do outro.
Daí a conclusão prática. Se você olha só o tracker, não sabe por quantos bots pagou à plataforma. Se olha só o cloaker, não sabe se a campanha se paga. Se os dois estão ligados por um único número de clique, dá para responder à pergunta que realmente importa para o gestor de tráfego: quanto custa um visitante real e quanto ele rende.
O que fazer com os cliques barrados
Visitas barradas não são lixo para apagar, são dados:
- elas mostram quais posicionamentos, redes e dispositivos mandam bots;
- em anúncios nativos e push, posicionamentos em que o filtro barra quase tudo devem ser desligados na própria rede de anúncios — assim você para de pagar por eles;
- um pico de barrados por um único motivo é sinal de que a fonte de tráfego mudou.
Mais sobre os sinais de tráfego inválido no artigo como filtrar bots.
A taxa de passagem não é nota de qualidade
Uma das armadilhas da integração é ler a parcela de visitas liberadas como nota. Passagem alta não quer dizer que o filtro é «ruim», nem passagem baixa que ele é «bom». Se você compra tráfego numa plataforma que envia um número de clique verificado, a maior parte dos visitantes pode chegar à oferta, e isso é normal. O sinal de alerta é outro: quando quase ninguém chega à oferta, as regras provavelmente estão cortando pessoas reais junto com os bots. Os motivos das decisões ajudam a entender — veja o artigo por que o clique foi para a White Page.
Como isso funciona no ArtisanClo
O ArtisanClo é filtro e tracker no mesmo painel, e cada fluxo tem um modo de trabalho:
| Modo | O que acontece |
|---|---|
| Cloaking | Bots e revisores vão para a White Page, pessoas para a oferta. O dinheiro pode ser contado num tracker externo |
| Tracker | Todos vão para a oferta; contam-se cliques, conversões, custo e lucro, e os bots só são marcados nos relatórios |
| Cloaking + Tracker | O filtro barra, e sobre o tráfego liberado conta-se o dinheiro: fontes, preço do clique, ramos, pré-landings |
O modo «Tracker» sem filtragem funciona com a conexão por arquivo PHP, filtro do Keitaro ou portão do Binom.
Se você mantém o seu tracker, há dois caminhos:
- Tracker externo no modo «Cloaking». Na etapa Tracker, escolha o tracker na lista (Keitaro, Binom, RedTrack, Voluum e outros) ou «outro tracker». O painel mostra um parâmetro do tipo
external_id={click_id}para o link da oferta e indica se ele já está lá. Por esse parâmetro o número do clique vai para o tracker e volta no postback, e CR e receita aparecem nas estatísticas do cloaker. - Filtro dentro do tracker. No Keitaro, o ArtisanClo entra como filtro de fluxo; no Binom, como portão na landing. É o esquema 2 da lista acima. Passo a passo nos artigos Keitaro + cloaker e Binom + cloaker.
Para começar com cautela existe o modo sombra: com a conexão por arquivo PHP, filtro do Keitaro ou portão do Binom, todos os visitantes vão para a oferta, e o log mostra quem o filtro teria barrado. Assim você avalia o filtro no seu tráfego sem perder nada.
As integrações prontas estão na página de integrações com trackers.
O que escolher: cloaker, tracker ou os dois
- Oferta white, só precisa contar dinheiro — tracker. Vale ver quantos cliques foram de bots, então um modo que marca bots nos relatórios entrega mais que a contabilidade «crua».
- Precisa barrar bots, revisores e ferramentas de spy, e o dinheiro você já conta — um filtro ligado ao seu tracker pelo número do clique.
- Precisa dos dois e ainda não tem tracker — é mais simples começar com um serviço em que os dois modos convivem. Antes de comprar um cloaker, confira se ele tem tracker e log de motivos.
- Equipe com vários gestores de tráfego — importam relatórios unificados e acessos: quem vê o custo, quem edita fluxos, quem só olha relatórios.
Resumo
O cloaker decide quem vê a oferta; o tracker, quanto dinheiro isso trouxe. Um não substitui o outro, eles se completam. Há três formas de ligá-los: filtro antes do tracker, filtro dentro do tracker ou tudo num serviço só. Em qualquer esquema, o essencial é um único número de clique que percorre todo o caminho e volta no postback. Os recursos das duas partes do ArtisanClo estão na página de recursos.



